O diagnóstico de sustentabilidade, elaborado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e pela Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), constitui um marco relevante na consolidação da agenda ESG nos setores portuário, de navegação e aeroportuário. O documento apresenta não apenas a metodologia da pesquisa, mas também os principais indicadores utilizados e os primeiros resultados, oferecendo uma leitura consistente sobre o estágio de maturidade dessas áreas estratégicas da infraestrutura nacional. A metodologia adotada baseia-se na aplicação de um questionário estruturado com respostas objetivas, permitindo a padronização dos dados e sua posterior análise comparativa. A organização das perguntas em três eixos — ambiental, social e de governança — reflete a lógica internacional do conceito ESG e possibilita uma avaliação sistêmica das práticas institucionais. Além disso, a inclusão de dados quantitativos, como investimentos e impactos sociais, amplia a robustez do diagnóstico ao integrar dimensões qualitativas e mensuráveis. No eixo ambiental, os indicadores evidenciam o grau de compromisso das organizações com a mitigação de impactos e a transição para modelos operacionais mais sustentáveis. Elementos como políticas de sustentabilidade, projetos de descarbonização e inventários de emissões demonstram avanços importantes, sobretudo no setor portuário, onde a regularização ambiental apresenta índices elevados. No entanto, a baixa adesão a índices como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e o Índice Carbono Eficiente (ICO2) revela limitações estruturais, já que tais métricas são restritas a empresas listadas em bolsa, o que reduz sua aplicabilidade no universo analisado. A dimensão social apresenta resultados ainda mais expressivos, indicando maior maturidade relativa. A ampla adoção de projetos sociais, canais de comunicação com comunidades e iniciativas de combate ao assédio revela uma crescente preocupação com o impacto humano das operações. Esse movimento sinaliza uma mudança de paradigma, na qual a sustentabilidade deixa de ser apenas ambiental e passa a incorporar, de forma mais consistente, aspectos de inclusão, equidade e responsabilidade social. Ainda assim, a baixa incorporação de diretrizes como a ISO 26000 evidencia a necessidade de maior sistematização dessas práticas. No campo da governança, os dados apontam um cenário relativamente consolidado, com alta presença de estruturas de compliance, auditorias externas e políticas institucionais formalizadas. Esses elementos são fundamentais para garantir transparência, integridade e segurança jurídica nas operações. Por outro lado, a menor adesão a controles internos com enfoque ESG e à certificação ISO 9001 sugere que ainda há espaço para evolução na integração entre gestão da qualidade e sustentabilidade. Os resultados do setor portuário reforçam essa leitura ao apresentar níveis intermediários de adesão ambiental e desempenho superior nas dimensões social e de governança. O conjunto das informações revela um setor em processo de amadurecimento, que já incorporou práticas relevantes, mas ainda tem espaço para avançar na consolidação de estratégias mais integradas e estruturadas. Em síntese, o diagnóstico cumpre um papel estratégico ao estabelecer uma linha de base confiável para o acompanhamento da evolução ESG na infraestrutura do País. Mais do que um retrato estático, o estudo oferece subsídios concretos para o aperfeiçoamento de políticas públicas e para o fortalecimento de uma cultura institucional orientada à sustentabilidade, alinhando o Brasil às exigências globais contemporâneas. *Gabriela Costa. Diretora-Executiva da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP)