(Gerada por IA) Então num Carnaval tórrido você se recolhe entre livros, música e filmes num Le Deux Magots imaginário. Isola-te vibrando pela alegria das pessoas entre bandas e blocos numa distância reverencial. São muitos os carnavais. Os desfiles oficiais do Rio e de São Paulo são estupendas óperas populares, que estão prestando um serviço incrível à cultura genuinamente brasileira da sagração dos povos originários, ao cultivo da África profunda dos orixás. Contudo, é preciso voltar ao café para refletir o mundo numa perspectiva aquietada, sabendo que o povo faz o melhor espetáculo. Aguardavam-me algum tempo os contos de Rosa: reler é aprofundar as veredas inconclusas. Guimarães Rosa pede-me ter Egberto Gismonti ao fundo. Que estupendos são A Terceira Margem do Rio, Famigerado e Sorôco, Sua mãe, Sua filha. A vida toda ali contida e sem desculpa, leitora: todos os contos do mestre estão à tua disposição no celular. Eis que do meu estúdio teletransportado para Saint-Germain ou Montmartre, descubro na Netflix algumas novidades: Batalhão 6888, uma série primorosa sobre o Império Romano, e o adorável Downton Abbey, Uma Nova era. Maggie Smith, que falta! E depois de vibrar por nosso Oscar brazuca, indigno-me por omitirem Alain Delon e Cacá Diegues do In Memoriam! Delon era o cinema personificado de Adônis! Ainda sobre streaming, quão farta de filmes de arte a plataforma Mubi! Que joia a fita baseada no romance de William Burroughs, Queer! Daniel Craig merecia um Oscar! Como na gastronomia paulistana, no Mubi você assiste tailandeses, iranianos ou densos finlandeses. Achei de extrema ousadia a opção da Globo transmitir a cerimônia de Hollywood reconhecendo outras tribos além das folias de Momo. Logicamente, o triunfo do Globoplay pedia, mas custa fazer entender que Cultura pede ser múltipla, pluralíssima. Carnaval, época pronta para alternar seu dry martini com as obras que te esperam puídas na estante. E, hoje, literatura vem de todo canto para quem gosta. Haja visto o sucesso de Antonio Fagundes lendo poetas nas redes sociais. Dele, recomendo uma obra perfeita para teus filhos interessados: Tem um Livro Aqui que Você Vai Gostar. E já que estou em modo crônica, adianto que tenho uma preferida: Pessoas Habitadas, de Martha Medeiros. Que libelo em defesa do interesse intelectual, da curiosidade artística, dos seres com repertório para conversa e amizade! Como não falta jazz no Le Deux Magots original, aproveitei para colocar meus Miles Davis e Coltranes em dia. Eis a onda de nos habitarmos com carinho!