O Jornal da Tribuna - 1ª Edição (JT1) completa 30 anos e vem celebrando com esmero uma seleção de pontos marcantes da sua, da nossa vida enquanto comunidade, civilização reportada diariamente. Destaco a retrospectiva de momentos dedicados à cultura, neste verdadeiro país que ela cobre, envolvendo a portentosa Baixada Santista e os municípios do crescente Vale do Ribeira. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O surgimento das afiliadas da TV Globo já é um fenômeno cultural em si: não só repetidoras de um sistema de padrão de excelência nacional, não só um vetor de integração da brasilidade, mas fator de amplificação das especificidades regionais de cada polo metropolitano. Destacar as culturas, porque plurais, em poucos minutos, foi tarefa hercúlea, mas reveladora. O Litoral paulista, onde o Brasil surgiu, vem surpreendendo artística e comportamentalmente. A matéria rastreou o advento de produções, estilos, linguagens surgidas nas denominadas ‘periferias’, que hoje são o centro estético de tendências insurgentes riquíssimas: o rap, o grafite, as batalhas de rimas, a poética das quebradas, antes sufocadas pelos cânones de classe média, que ignoravam a vez e a voz de tudo que soava fora da caixinha. O rock do Charlie Brown Jr. e o samba raiz caiçaras se associam à infindável reposição de estoque de talentos litorâneos para a dramaturgia, o cinema e a teledramaturgia na terra de Nuno Leal Maia e Alexandre Borges. Um aspecto da antologia do nosso recorte cultural é a validação a novos formatos da indústria de massa que não necessariamente estariam num conceito restrito de cultura: o mundo geek, o cosplay. Mas são reveladores de aspectos controversos da globalização capitalista. Esta absorção foi impecavelmente contraposta e agregada ao preito a personagens de nosso panteão de gênios brasileiros advindos da civilização santense: Gilberto Mendes, Plínio Marcos e Cleyde Yaconis representando o clã de Cacilda Becker e toda uma tradição de artes de teor crítico e consciência social profunda. Esta tríade diz tudo sobre o quanto a TV Tribuna foi e é parceira e protagonista do universo mágico que ela revela e ajuda a reproduzir. Este levantamento histórico do JT1 deu-me confiança num futuro propício aos valores do espírito criativo visceral. Tudo em cultura é símbolo e sintoma. Para quem leu Adorno, as declarações catastróficas de Timothée Chalamet servem de termômetro dos descaminhos da fábrica de consumo fugaz do mainstream ocidental. O melífluo ator, que só em Me Chame pelo seu Nome executou algo de relevância relativa, ‘pontificou’, do alto da sua irresponsabilidade, que balé e ópera são coisas com que ninguém mais se importa. Ninguém quem? Pois a TV Tribuna não se cansa de reverberar o surgimento de novos talentos que lutam brava e, por vezes, solitariamente para exibir sua paixão, em busca do Bolshoi ou do Royal de Londres. Não foi uma companhia de teatro advinda dos grotões de Cubatão vencedora do Prêmio Shell? O Coletivo 302, que levou ao Brasil à Vila Parisi, exemplo de superação em Energia que Vem da Gente, título (da categoria do Shell, vencida pelo grupo) que diz da própria TV: farol dessa garra, do que ‘tu’ e nós fazemos. Que venham os futuros 30 anos com Fescete, Arte no Dique, o jovem pianista Gabriel Nunes, o maestro cubatense João Rocha, na Universidade do Kentucky! E, claro, como sonho com a TV Tribuna cobrindo os 500 anos de São Vicente, num teatro que a cellula mater merece!