“Sem a cultura, e sua liberdade, a sociedade não passa de uma selva”. Albert Camus crava certeiro no sentido de elevação simbólica que os valores da memória e da criação representam. A faina diária pela sobrevivência, as atribulações do capitalismo nos consumindo com suas demandas questionáveis, a inobservância dos ritos, da apreciação dos ciclos e a recusa de parar para pensar nos transformam em autômatos de uma máquina de ganhar dinheiro, torrar tempo e pagar contas. Selva normatizada denominada cotidiano. Tão preciso o devaneio, tão preciosa poesia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sorte que, em Santos mercantil, aduaneira, centro de serviços e trocas, temos 500 anos de história, costumes e valor humano agregados à arquitetura, à geografia peculiar, até aos ventos peculiares. Por inspiração rara do prefeito Rogério Santos, a Cidade correspondeu à demanda reprimida por arte e pensamento. Faz dois anos, a Casa das Culturas é catalisadora de corações e mentes da terra para o mundo e do mundo para Santos. Nestes dois anos, foram trinta peças encenadas, quarenta saraus lítero-musicais, a média de quatro oficinas literárias por semana e, no mínimo, quatro shows musicais por mês. O imponente solar de 1900, irmão dileto e complementar da Pinacoteca Benedicto Calixto, sedia o Memorial José Bonifácio e, em parceria com a Fundação Arquivo e Memória, que a administra, já exibiu exposições sobre Vicente de Carvalho, sobre a história do samba e nossos heróis afro-descendentes. Por duas vezes recebeu a abertura do Santos Festival Jazz e, agora, está nas comemorações dos 30 anos do Fescete. Hospedou o Festa, o Querô, Tam-Tam, o Arte no Dique, o Clube do Choro e recitais de todas as academias de letras da Baixada Santista. A Casa teve a honra de ser palco do fórum A Região em Pauta - Cultura, de A Tribuna, em 2025 com a presença da Secretaria da Cultura do Estado. Há dois corais criados e que ensaiam na Casa, e é incessante a parceria com a Secretaria de Educação de Santos, com apoio decisivo da secretária Audrey Kleys, que ligou em convênio com a Cadeia Velha e a Fábrica 4.0 paulista. A Casa recebeu desde o chanceler Celso Amorim ao astro santense Nuno Leal Maia. Com o apoio do empresariado encarnado no mecenas Geraldo Pierotti, foi criado o projeto Santos É uma História, de gravação de depoimentos de personalidades, desde Roberto Sion, J. Muniz ao resgate da Banda Mole, do ChoppBoll e das noites da Boca, que notabilizaram nossa boemia internacionalmente. Graças à visão do prefeito Rogério Santos, a Casa ganhou status de laboratório nacional de experimentos estéticos, hoje com status de equipamento indispensável a Santos e região. Independentemente de governo, a cidade não se conceberá sem a Casa das Culturas como modelo de acolhimento, do Mercado-Paquetá à Vila dos Criadores. Se abduzida num passe de mágica, a Cidade já se sentiria órfã do point, do bosque, dos palcos, das trocas de espírito e do calendário diário de eventos e reflexões. A Casa já entrou no horizonte turístico e artístico estadual, foi matéria do Antena Paulista, viralizou nas redes; a Casa é um hub que pede ser reproduzido e foi abraçada por voluntários da alma em ebulição criativa. Aprendi com mestre Jose Mindlin: “Fazer cultura sem dinheiro não é fácil, mas possível; impossível é fazê-lo com dinheiro, mas sem ideias!”. Grato à Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams), à Secretaria de Cultura de Santos (Secult), à Câmara e ao povo santense!