Formada em 2021 a partir da fusão da gestão dos três portos, a Haropa Port passou a ser o quinto maior porto do norte da Europa (Reprodução Haropa Port) Haropa Port é a autoridade portuária responsável pela gestão de três portos na França: Le Havre, Rouen e Paris. Formada em 2021 a partir da fusão da gestão dos três portos, a Haropa Port passou a ser o quinto maior porto do norte da Europa e a conectar de maneira mais eficiente todo um corredor logístico a partir do Porto de Le Havre (importante hub marítimo do país), passando pelo Porto de Rouen (porto marítimo e interior), até o Porto de Paris (porto fluvial às margens do rio Sena). Dados consolidados de 2022 mostram que os portos da Haropa Port movimentaram 3,05 milhões de TEU (unidade de medida de contêineres movimentados), 31,09 milhões de toneladas de granéis líquidos (incluindo combustíveis), 1,96 milhões de toneladas de granéis sólidos, 1,66 milhões de toneladas de carga geral (incluindo veículos) e mais de 273 mil passageiros. E qual tem sido o foco da gestão unificada dos portos? Voltar-se ainda mais à geração de valor aos seus ativos. No mês passado, tive a oportunidade de passar duas semanas em um curso promovido pelo Instituto Portuário de Ensino e Pesquisa da Escola de Negócios da Normandia (Iper) sobre gestão portuária. Um dos principais pontos de debate dessa formação foi sobre as ferramentas base do modelo de negócios desse complexo tão importante para a economia marítima europeia. Baseados no modelo “landlord port”, no qual a autoridade portuária faz a gestão patrimonial das áreas e gere a utilização das infraestruturas públicas do complexo, a missão da Haropa Port é ser cada vez mais um “porto desenvolvedor” de valor para as zonas industriais, logísticas e urbanas ao seu redor. Para cumprir essa missão, um dos importantes papéis da autoridade portuária é fazer a gestão imobiliária de seus ativos públicos por meio da aquisição, com recursos próprios, de novas áreas destinadas à ampliação da atividade marítimo-portuária; do incentivo ao arrendamento eficiente das áreas para a instalação de terminais portuários, e até mesmo da alienação lucrativa das áreas que foram por ela adquiridas e objeto de valorização patrimonial. E pelo que foi demonstrado, algumas premissas são fundamentais para que essa gestão imobiliária de ativos seja eficiente. Em primeiro lugar, a necessidade de ter um planejamento de médio e longo prazo eficiente e perene. Em seguida, a exigência de se exercer uma gestão de arrendamentos que respeite o planejamento e que tenha vantagem socioeconômica para a área de influência do porto. E em terceiro lugar, o dever de se ter uma gestão financeira que permita que a autoridade portuária se remunere de maneira suficiente não só para cobrir despesas, mas também, e principalmente, para ter capacidade de fazer novos investimentos. Analisando o modelo de gestão imobiliária dos portos franceses, é possível perceber claramente quais os pontos de melhoria podemos incorporar no nosso modelo de gestão dos portos brasileiros. Embora não se trate de uma ação isolada, pouco ou quase nada se avançará em prol de uma melhoria da eficiência significativa dos nossos complexos portuários se a cultura do planejamento não for cultivada, se a gestão financeira das autoridades portuárias não der a elas a capacidade de investir na melhoria de seus ativos e se o arcabouço normativo-regulatório que sustenta essas atividades não der as ferramentas necessárias para o desenvolvimento dessa visão de transformação do porto organizado como um “desenvolvedor de valor”. Para ser sincera, entendo que esses três pontos de avanço não sejam, em verdade, nada muito novo do que efetivamente já se defende no bom debate. O que resta mesmo é colocar tudo isso em prática no dia a dia. Seja na gestão, seja na regulação, seja no ambiente de negócios portuário.