(Adobe Stock) O ESG materializou princípios da sustentabilidade em iniciativas concretas e lastreadas em dados quantitativos. Trouxe para as organizações uma nova arquitetura estratégica para pensar as interdependências do negócio com o meio ambiente e a sociedade. Ao colocar temas sensíveis na agenda do negócio, ganhou oportunidades de reputação positiva; ao mesmo tempo, automaticamente se aproximou das discussões da economia política. Ventos contrários apontam a decadência do termo ESG, em estreita associação à politização do termo na política global, às iniciativas de retrocesso na agenda climática-social do governo Donald Trump, dos Estados Unidos, e ao cansaço universal com mensagens corporativas bonitas e vazias – o greenwashing. Nessa linha, estudo da Harvard Business Review revelou uma mudança de comportamento dos investidores individuais sobre ESG de 2022 para 2025. Em 2022, os investidores mais jovens estavam mais preocupados e mais propensos a comprometerem parte dos retornos para pagar por resultados ESG do que os investidores mais velhos. Em 2025, há uma convergência geracional em relação à preocupação com os temas ESG – 45% investidores jovens e 38% dos investidores mais velhos - e à disposição em comprometer riqueza - 4% pelos mais jovens e 3% pelos mais velhos. Sob o ponto de vista estritamente econômico, o ESG se comporta como um bem de luxo e tem elasticidade maior do que se pressupunha: quando as condições de mercado são boas e contam com altos resultados, aumenta a propensão para investimentos em iniciativas com benefícios difusos, incertos ou de longo prazo. Logo, em cenários negativos e com expectativas ruins, a disposição de investimento nos temas ESG desaparece. A leitura é que, para o indivíduo, ESG é valor, princípio e propósito. Interessante destacar a diferença dos resultados junto aos investidores institucionais, apontando que a integração do ESG nas organizações segue forte. O idealismo associado aos temas ESG cede lugar para uma abordagem mais pragmática e focada no risco. Fatores ESG são parte de uma arquitetura de riscos que orienta a tomada de decisão em horizontes de curto, médio e longo prazos. Não é apego moral ou “vontade de fazer o bem”, é gestão de riscos pura e simples. O setor portuário é marcado por uma matriz de riscos ampla e complexa: riscos climáticos, territoriais porto-cidade, reputacionais, operacionais e financeiros. Quando ESG entra na estrutura decisória, ele deixa de ser pauta e passa a ser variável estratégica. Passa a influenciar critérios de priori-zação de projetos, gestão de riscos regulatórios, diálogo com comunidades, desenho de contratos e alocação de capital. O gestor aceita retornos financeiros menores porque o resultado financeiro não é seu único fim. Os objetivos não financeiros estão claros na mesa e os trade-offs podem ser facilmente justificáveis. O pensamento de sustentabilidade chegou ao negócio mais claramente na pauta climática de descarboni-zação, na Agenda 2030 e em iniciativas de equidade de gênero. O setor nacional não conseguiu, entretanto, colocar o pensamento de negócio na sustentabilidade. Isto é, deixar de tratar o ESG como obrigação regulatória, discurso moral ou marketing. Em muitos casos, ESG tornou-se uma pauta paralela à estrutura decisória principal. É tratado como requisito de compliance, agenda ambiental ou responsabilidade social corporativa. Avança na área técnica, mas não chega à mesa onde se discutem investimentos, expansão, contratos, riscos e estratégia institucional. Nossos portos precisam ir além do checklist e entender que ESG é alocação estratégica de recursos, é alterar a forma como a organização decide e, assim, permanece relevante no longo prazo. Em outras palavras, incorporar o pensamento de criação de valor financeiro e social de longo prazo.