O desenvolvimento sustentável é o equilíbrio entre satisfazer as necessidades do presente e garantir que as gerações futuras tenham acesso aos mesmos recursos ( Carlos Nogueira ) Sustentabilidade e inovação devem ser parte do planejamento estratégico dos portos brasileiros. São novos temas contemporâneos que caminham juntos: não há sustentabilidade sem inovação e inovação que não seja sustentável. Explico. Trazer a sustentabilidade para a gestão portuária é uma questão de princípio e de propósito: os portos são negócios complexos e com impactos variados. O desenvolvimento sustentável é o equilíbrio entre satisfazer as necessidades do presente e garantir que as gerações futuras tenham acesso aos mesmos recursos. Mensagem certeira para CEOs portuários: pautar suas decisões pelo princípio da sustentabilidade, garantindo que o porto se perpetue no tempo de forma responsável, e com o propósito de aproveitar de todo seu potencial para transformações positivas nos territórios onde se inserem. Sustentabilidade, nesse sentido, é top-down: deve partir de uma decisão estratégica do board portuário. Sua implementação, aí sim, é de competência de outras esferas hierárquicas da administração portuária. E como implementar? Um excelente roadmap é a Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), com seus 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas. Pensando nisso, tive a oportunidade de desenhar a Agenda 2030 Portuária, programa de sustentabilidade da Secretaria Nacional de Portos. A proposta é trazer a sustentabilidade como tema central para os portos a ser implementado de forma convergente com as mudanças climáticas e iniciativas de inovação. Projeto inovador que é co-construído a muitas mãos, em parcerias com entidades do setor. Isso significa que não há uma lista de iniciativas pré-programadas e fechadas: as ações são construídas a partir da convergência de interesses e sinergias. Foi assim que realizamos o workshop Boas Práticas em Sustentabilidade Portuária, com a Portonave emocionando com o case “Um toque de inclusão”, Hidrovias do Brasil estimulando seus funcionários a fazerem inovação, Rio Brasil e Pecém indicando oportunidades na transição energética, Santos Brasil e Porto de Santos compartilhando iniciativas de relação cidade e porto com foco em resiliência climática. Sim, nossos portos têm muitas iniciativas para compartilhar. E por que não compartilharmos com todo o mundo estas iniciativas? Já somos quase 20 representantes de instituições portuárias que iremos a Lisboa (Portugal), na 19ª conferência internacional da Associação Internacional de Cidades Portuárias (AIVP). A associação francesa, com quem o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) fez acordo de cooperação técnica, tem trajetória de mais de 30 anos, fomentado a proximidade entre portos e territórios. Destaque para os portos do Açu e de Itaqui, convidados a expor os projetos. A inovação é a criação de algo novo ou a melhoria de algo existente, um valor transversal que perpassa uma cultura aberta, de valorização das pessoas, pronta para parcerias e ávida por soluções facilitadas pelas novas tecnologias. Os portos de Roterdã (Holanda) e de Antuérpia (Bélgica) apresentaram para nós projetos que aglutinam parcerias, inovação, descarbonização e sustentabilidade. Uma mensagem do que nós também podemos fazer por aqui. Uma sugestão de futura iniciativa da Agenda 2030 Portuária. *Coordenadora-geral na Secretaria Nacional de Portos (SNP)