Quem diria que aquele grupo de cientistas nerds, socialmente desajeitados e apaixonados por quadrinhos renderia tantas histórias? The Big Bang Theory terminou em 2019, depois de 12 temporadas de sucesso, mas seu universo continua crescendo. O mais interessante é que algumas das produções derivadas conseguem ter vida própria, sem depender apenas da nostalgia dos fãs. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o caso de Georgie e Mandy: Seu Primeiro Casamento, cuja terceira temporada chegou na última semana ao Brasil, mantendo uma das melhores qualidades da também derivada e já concluída Jovem Sheldon: os personagens secundários. A série acompanha Georgie, irmão mais velho de Sheldon, e Mandy, agora às voltas com as responsabilidades do casamento, da criação da filha e das dificuldades financeiras. A graça está justamente nas situações familiares, nos diálogos afiados e, principalmente, nas figuras que já conquistaram o público. Entre elas, Missy, a irmã gêmea de Sheldon, interpretada pela ótima Raegan Revord. Dona de um humor ácido e de respostas rápidas, ela frequentemente rouba a cena. É uma personagem que merecia até uma série própria. E não dá para esquecer a avó Meemaw, vivida por Annie Potts, uma das responsáveis pelo sucesso de Jovem Sheldon. Irreverente, sarcástica e com uma personalidade fortíssima, ela consegue ser divertida mesmo nas situações mais banais. Também gosto da sogra do Georgie, Audrey McAllister, interpretada pela atriz Rachel Bay Jones. Controladora e extremamente crítica, gera ótimos momentos de tensão e humor na família. A leveza cômica vem do marido, o bonachão Jim McAllister, vivido pelo sempre ótimo Will Sasso. Nessa temporada, Georgie entra em conflito com sua mãe, Mary Cooper (vivida por Zoe Perry), que está saindo com seu rival nos negócios. Eu já gostava muito da religiosa Mary em Jovem Sheldon e ela segue com carisma. Aliás, preciso dizer, correndo risco de ser vaiada: Jovem Sheldon, que teve episódios simultâneos com The Big Bang, é uma das raras séries derivadas que chegam a se igualar à produção original em alguns aspectos. Ao acompanhar a infância do pequeno gênio no Texas, conseguiu equilibrar humor, afeto e drama familiar sem perder a leveza. E revelou personagens tão interessantes que, muitas vezes, Sheldon deixou de ser o centro das atenções. Georgie e Mandy segue essa fórmula, embora com um humor mais tradicional de sitcom e risadas de plateia, o que a diferencia da antecessora. Nem todas as piadas funcionam, mas o carisma do elenco e a familiaridade com os personagens compensam. Este ano, a franquia apostou ainda em um caminho completamente diferente com Stuart Não Consegue Salvar o Universo. O protagonista é o azarado e carente dono da loja de quadrinhos de The Big Bang Theory, interpretado por Kevin Sussman. Após quebrar acidentalmente um dispositivo criado por Sheldon e Leonard, ele provoca uma confusão no multiverso. A proposta mistura comédia e ficção científica, com a participação de rostos conhecidos, como Denise, Bert e Barry Kripke. É uma aposta ousada e diferente do humor familiar das outras duas produções. Porém, segue colocando as personalidades de seus personagens peculiares como centro dos episódios. Não gostei tanto dessa derivação que tem dez episódios na primeira temporada e já foi renovada para uma segunda, mostrando que os fãs continuam firmes consumindo todas as ramificações dos amigos gênios da Caltech. A HBO Max reúne todo o universo de The Big Bang Theory e suas ramificações, já a Netlfix exibe as sete temporadas completas de Jovem Sheldon. *Jornalista e viciada em séries