[[legacy_image_355813]] Parecia uma novela, com drama e tensão. O País acompanhou em frente à TV e às telas dos celulares o resgate do cavalo Caramelo, cuja imagem se equilibrando sobre um telhado quase submerso deixou boa parte dos brasileiros inquietos. Era como se a situação desesperadora que vive o Rio Grande do Sul estivesse manifestada naquele animal, um símbolo do gaúcho e também uma representação de força. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Assistindo ao vivo à ação delicada dos bombeiros para retirar e transportar o animal de 350 quilos, fiquei impressionada com a situação da cidade de Canoas. O nome pareceu até uma premonição para a situação das ruas transformadas em rios. O bote a motor em que estava o Caramelo passou por dezenas de quarteirões, e por quase meia hora na minha tela da TV, o que vi foi água por todo lado. As casas estavam submersas. Sob a água, não estão só tijolos, móveis, eletrodomésticos. Estão fotos de casamento, de nascimento dos filhos, de batizados. Estão troféus do futebol, da natação, da Olimpíada de Matemática. Estão exames e diplomas, obtidos com suor e dedicação. Estão histórias e legados. Estão frutos de esforços de uma, de muitas vidas. Mais de 350 mil pessoas tiveram que deixar tudo isso. O que interessa é estar vivo. Sim, mas no fundo é mais que isso. A vida em primeiro lugar – e os 126 mortos nos lembram da pior forma disso. Porém, compreendo quem não quis deixar seus lares, mesmo sob risco. Só que não há o que fazer, é preciso atender ao apelo da defesa civil e ir sem olhar para trás. Apesar da ajuda e solidariedade de todo o País, faltam abrigos, faltam colchões, faltam itens de higiene. As pessoas dormem no chão, com pouca segurança e ainda com medo de terem suas casas saqueadas. Porque sim, há uma imensa corrente de solidariedade, que é, vez ou outra, quebrada por elos apodrecidos. A onda de ajuda do brasileiro, de Norte a Sul, tem sido gigante, empenhada. Mesmo assim, não alcança o volume de necessidades que sobe na velocidade em que as águas cobrem e devastam as cidades. Mesmo de longe, acompanhando só pelas telas e tentando organizar doações, tirando tudo o que se pode dos armários, mandando Pix, divulgando vaquinhas e correntes de oração, a gente também sofre. Não sai da minha cabeça a história da mãe que não encontra uma de suas bebês gêmeas, perdida durante um resgate. Ela acredita que a filha esteja em algum hospital, mas até agora ninguém a achou. Meu coração dói demais por essa mãe e por essa bebê. Nos abrigos, há outras crianças que chegaram separadas de seus pais. Quão assustador é isso?! Desde 1992, na COP que aconteceu no Brasil, há o alerta para o iminente avanço das mudanças climáticas. Não sei o que mais precisa acontecer para que quem toma conta dos nossos impostos se convença de que já não se trata mais de previsão, é urgente, para ontem. Não à toa todo filme de catástrofe começa com cientistas sendo desacreditados. É só uma cópia da realidade. O momento é de união, de ajuda e de garantir a sobrevivência, mas é preciso falar de responsabilidades. Todos nós, aliás, temos a nossa parcela de compromisso com o planeta, dos pequenos hábitos aos grandes. Não dá mais para adiar. É preciso correr para compensar os séculos de subtração. A conta chegou, é alta e não dá para parcelar. E, assim como a corrente solidária que só aumenta, temos que criar um elo inquebrável para quitar esse saldo. Para conhecer vias confiáveis para ajudar o Rio Grande do Sul acesse o site www.paraquemdoar.com.br.