(José Cruz/ Agência Brasil) Foi dada a largada para a campanha eleitoral. E se antes a gente saía às ruas e tinha a paisagem inundada por muros e postes com cartazes e pinturas com slogans e fotos de candidatos, hoje nem é preciso colocar o pé fora de casa. Tudo vem no nosso WhatsApp, e-mail, redes sociais, SMS e qualquer forma de contato digital. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Você pensa: mas é só bloquear. Não é tão fácil assim. Há os patrocinados, que buscam o público-alvo, ou seja, o eleitor. E acham. Há também aquele seu amigo candidato a vereador. Desafio quem não tenha pelo menos um vizinho, colega de trabalho, de escola ou faculdade, do futebol, da aula de inglês, da academia ou da família que seja candidato. Somente em Santos são 354 aspirantes ao Legislativo. Isso dá quase 17 disputando uma vaga, ou seja, eles precisam se empenhar muito para se fazer notar, para serem conhecidos, para conquistar o seu, o meu, o nosso voto. E não dá para você bloquear o primo do seu chefe ou o irmão do patrão do seu sogro ou a filha da sua amiga de escola... que ficam te mandando mensagens convidando para carreatas, para adesivaços, pedindo para seguir no Instagram... Mais complicado é quando há a pergunta direta: posso contar com você?! Olho no olho. Afinal, Santos é uma cidade pequena. A gente vai, literalmente, esbarrando em candidato a cada esquina. Como dizem, ‘Santos é um ovo’. ‘Em Santos a gente conhece todo mundo’... A impressão é que tem mais deles do que nós, eleitores. Mas é porque, a espécie candidato faz questão de ser notado. No primeiro momento, você perde o rebolado. Fica meio sem saber o que dizer. Você mente e diz “é claro, conta comigo” ou abre o jogo e fala que está pensando ou que tem um parente concorrendo? Passei muito por isso na última eleição municipal. Tinha bons amigos no rol de candidatos. Queria poder votar numa lista tríplice. Fui sincera (na maioria das vezes). Tem gente insistente que eu me dei ao direito de contar uma mentirinha para escapar de um discurso. O pior é que, além da invasão dos robôs/cabos eleitorais nos nossos celulares e computadores, a gente continua sendo acordado em um sábado de manhã por carreatas animadas com motos acelerando e fazendo aquelas explosões odiosas nos escapamentos, motoristas empolgados esquecendo a mão na buzina. Isso aconteceu comigo. E nem consegui entender quem pedia votos. Não funcionou. Agora, preparem-se para este fim de semana, o primeiro da campanha para valer. Serão caminhadas pela orla, pela feira, muitos abraços, camisetas e bandeiras. Slogans e jingles que parecem meio iguais. Alguns mais criativos que acabam grudando feito chiclete. Na TV, a gente fica esperando os candidatos que se destacam por fazer algo diferente, fora da caixinha, divertido ou ‘vergonha alheia’. Sim, a gente adora um vexame. Às vezes, o muito diferente dá certo. Já tivemos os considerados azarões que foram os mais votados, como aconteceu como o não político Zé Macaco, em 1988, recordista de votos à Câmara Municipal. Ele era uma figura conhecida das ruas santistas como propagandista de porta de loja. Entrevistava também famosos com sua latinha como se fosse um microfone. Com sua irreverência, falou até mesmo com o presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, quando este veio à Vila Belmiro. Foi um voto de protesto contra a classe política. Ele foi lançado candidato por um grupo de portuários após passar dificuldades e ser ajudado, inclusive, pelo então prefeito Oswaldo Justo. Seu slogan era: “Zé Macaco. Já que os homens não resolvem, por que não votar nele?” Não apresentou nenhum projeto relevante no mandato. Só requerimentos para reparos de bueiros e buracos, além de honrarias, como o título de Cidadão Emérito ao ex-jogador do Santos José Macia, o Pepe. No fim, esses personagens dão um certo molho à eleição. Ninguém é tão sisudo que não goste de assistir a um programa eleitoral que tenha umas pitadas do diferente, às vezes até de bizarrices. Elas sempre aparecem. Mas voto é coisa séria. E com inteligência artificial, robôs, algoritmos e todo tipo de manipulação virtual, os velhos corpo a corpo, programa de governo, ficha limpa e currículo são o que me convencem de verdade. Isso tudo nunca sai de moda, seja qual for a concorrência.