(Divulgação) Fui assistir, logo no dia da estreia, na última quinta, ao filme É Assim Que Acaba, que conta a história de Lily (interpretada sensivelmente por Blake Lively), florista que sofre violência doméstica do marido Ryle (Justin Baldoni). A trama do livro, na lista dos mais vendidos no Brasil e no mundo, que foi adaptada para os cinemas, é baseada na vida real. A mãe da autora, Colleen Hoover, passou pelo mesmo abuso do marido, o pai de Colleen. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Inclusive, em uma carta no fim do livro, ela conta (e é impactante para o leitor) que a primeira vez foi igual a da história de Lily. Fiquei pensando nisso, porque a mãe dela pediu o divórcio quando Colleen tinha 3 anos para que as filhas não presenciassem mais tal violência. E ela conta que o pai sempre foi carinhoso e presente com as filhas e que a mãe nunca tocou no assunto para não afastá-las dele. Mesmo assim, esse trauma, lá da primeira infância, ficou guardado, circulando dentro de Colleen por todo esse tempo. É assim na nossa vida também. Falo por mim, que sou assim. Tento empurrar meus rancores e dissabores para o fundo da gaveta, mas sempre que sacudo ou remexo, eles escapam, nem que seja uma pontinha e desalinha tudo. Não adianta, não há rolha que contenha a força de uma lembrança ruim. E ela transborda, às vezes de forma a carregando tudo junto com a onda que ficou tanto tempo contida. No caso de Colleen, ela deu vazão em um livro, na escrita. Pediu permissão à mãe. Disse que queria escrever para mulheres como ela. E a mensagem ressoou longe e alto. O livro é um fenômeno mundial e o filme, pelo cinema lotado que vi na quinta, deve ir pelo mesmo caminho. Eu e Lutti Afonso, que diagrama esta página, tivemos uma experiência diferente ao presenciar uma plateia que, provavelmente na sua totalidade, sabia os rumos da história, e vibrava, com direito a gritos e aplausos, a cada frase marcante saída das páginas para a telona ou quando o amor da infância da protagonista finalmente ressurge, apesar de que ela nunca precisou de um cavaleiro de armadura. Acredito que a potência da história esteja também aí. Uma mulher que não liga muito para convenções, forte, independente, que se vê em uma relação tóxica e violenta, com um homem que parecia perfeito, mas se revela manipulador, narcisista e possessivo. E ele engana a todos: a sociedade, a família, ela e a nós, leitores e espectadores. Uma lição para ter mais empatia e menos julgamento. PS.: como é gostoso ir no cinema, comprar uma pipoca maior que a nossa cabeça, um refrigerante proibido pelo médico e curtir duas horas sem celular, sem pensar em mais nada, mergulhar em uma história que não é nossa em uma tela gigante. É terapia à moda antiga.