( Pixabay ) Tem sido difícil sair de baixo do edredom. Confesso que não me lembrava de ter tanta dificuldade para enfrentar manhãs enevoadas e frias como estou tendo agora. Meu apartamento é exposto ao vento por todos os flancos, o que é ótimo. Quer dizer que é iluminado arejado... e gelado. Então, já estou acostumada a sair mais agasalhada do que o tempo lá fora pede. Dar aquela exagerada de santista, sabe? Sou mestre nisso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas, outro dia, fiquei preocupada. Estava num funga-funga desde o dia anterior. Uma rinite querendo atacar diante da semana úmida, de uma garoa que não largava do nosso pé. Mesmo tendo uma manhã corrida, eu continuava sentindo frio. Agasalhei-me, caprichei na produção (que o inverno é perfeito para a gente ficar mais arrumada), fiquei bem quentinha e chamei um carro de aplicativo. Estava de casaco, lenço e botinha. Nada muito exagerado, mas bem aconchegada no meu look de inverno. Qual não foi minha surpresa quando entrei no carro e o motorista estava de camiseta regata, bermuda e boné. Como pronto para ir à praia. Fiquei alguns segundos atônita. Pensei: “Devo mesmo estar com febre. Gripei, só faltava essa. Estou cheia de frio e está calor. Devo estar parecendo uma maluca cheia de roupa”. Até que decidi olhar para a calçada. Ufa! A maior parte dos seres humanos circulando naquele momento também estava na mesma estação que eu. Alívio. Um aqui, outro ali destoavam, com uma camiseta ou uma bermuda. Mas nada que parecesse verão no Arpoador. Esse termômetro interno da gente é mesmo algo pessoal. Existe assunto para dar mais briga do que temperatura de ar-condicionado? Na empresa, sempre tem aquele dono (a) do controle remoto, que coloca a sala na temperatura de frigorífico e o outro (a) que gosta mais ao estilo estufa. Fica um duelo de titãs e os que preferem não se meter acabam enfrentando ondas de calor e frio dentro e fora do escritório. Dá briga até de casal. Dividir ar-condicionado é um desafio para a inteligência emocional. Conheço alguns que dormem em quartos separados por causa dele ou quem durma o ano inteiro como rolinho primavera no edredom para se proteger das eternas noites de inverno. Nada fácil também é encarar a conta de energia no fim do mês. É um conforto caro, mas um alento sem tamanho nos dias de verão. Ah, preciso contar que no carro do app não tinha ar ligado. Era janela aberta, com vento gelado no rosto do destemido moço de regata. E pasmem, no dia seguinte peguei um motorista diferente com o mesmo uniforme estilo ‘pronto para praia’. Detalhe: foi no dia mais frio do ano, segundo a Defesa Civil. Tive até vontade de tirar uma foto dele, mas achei invasivo e descabido e refleti: dá mesmo é uma crônica.