(Gerada por IA) O Carnaval de um colega de redação em Fortaleza teve sol, praia, comida típica e uma atração tecnológica logo no café da manhã: quem servia as tapiocas com queijo coalho era uma robô-gata. Não sei se robô tem gênero, mas aquela tinha orelhinhas, olhos digitais piscantes, um lacinho rosa e uma voz irritante. Foi uma das primeiras coisas que ele contou quando voltou, não os pontos turísticos, não a música, não o calor, não a comida. Sim, a gata robótica chamada Bela. E não foi amor à primeira bandeja. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Diz o relato que a robô felina era uma garçonete lenta, de falas repetitivas e possuía um ‘miado’ eletrônico capaz de atravessar qualquer ressaca carnavalesca. Deslizava pelo salão trazendo omeletes e tapiocas com uma solenidade robótica, enquanto repetia frases programadas com entusiasmo zero. O pior: não havia um funcionário por perto para socorrer os hóspedes. Restava aceitar a liturgia tecnológica do café da manhã. E, pior, nem um sotaquezinho cearense colocaram na criatura. Imagine um “merendar” digital, um “arriégua” sintetizado, um “pois não?” com ritmo nordestino. Nada. Para quem viajou em busca de autenticidade, o dia começou com um atendimento importado do futuro, provavelmente com a voz gravada em São Paulo. Eu entendo o fascínio. Existe público grande para bares e restaurantes automatizados. É curioso, rende fotos, vira reels, engaja. A experiência se transforma em entretenimento. Mas a hospitalidade — essa palavra quase tátil — continua sendo humana. Quando saímos para comer, não buscamos apenas alimento. Se fosse só isso, o delivery resolveria tudo. O que queremos é o gesto: o garçom que sugere o prato, a taça de vinho servida no tempo certo, o peixe finalizado à mesa, o molho flambado diante dos olhos. Pequenos rituais que transformam refeição em memória. Robôs podem até ser uma experiência. Mas experiência mesmo é alguém perceber que você está indeciso e sugerir “confia em mim”. A tecnologia, claro, é bem-vinda. Check-in automático sem filas é um alívio civilizatório. Check-out rápido evita dores de cabeça burocráticas. Ainda assim, é reconfortante saber que existe uma pessoa por perto caso o sistema trave, o cartão falhe ou a vida simplesmente aconteça. Porque a impessoalidade tecnológi-ca também traz uma ponta de insegurança. Será que foi cobrado certo? Será que o pedido veio correto? Será que alguém pode me ouvir? No fundo, ainda buscamos o olho no olho, essa tecnologia ancestral que nunca precisou de atualização. Meu amigo voltou com histórias de Carnaval, sim. Mas nenhuma tão simbólica quanto a da robô-gata que servia tapiocas sem sotaque, sem carisma e sem ser capaz de perceber que, depois de uma noite de passeio, às vezes tudo o que a gente precisa é de um café forte, um sorriso humano e alguém dizendo: “Bom dia. Dormiu bem?”