(Pixabay) O que faz um lar? Essa semana estou na saga de pintar minha casa. Não com minhas próprias mãos, esclareço. Sou péssima nisso. Já tentei. Deixo para os profissionais. Porém, minha missão é tirar tudo do caminho para o pintor fazer sua arte. Peguei uma caixa grande para colocar os objetos da sala. Nem eu imaginava que tinha tanta coisa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De cima do bufê, que era da minha avó e deve ter quase um século, fui recolhendo peças que são pedacinhos de pessoas e lugares que estiveram ou estão nas nossas vidas. Isso sem contar umas duas dezenas de porta-retratos com todas as crianças (algumas já adultas), turma de amigos, viagens, natais, aniversários... O pequeno camelo cheio de detalhes bordados e incrustados, que tem lugar de destaque, veio da Arábia Saudita. De quando minha irmã Renata morou lá. Adoro ele, até porque combina com uma lanterna de mosaico que comprei em Alhambra, na Espanha, em uma viagem que fizemos com ela, meu cunhado e meu sobrinho e foi incrível. Um lugar de cultura riquíssima. Com cuidado, tirei a bandeja de taças que herdamos da minha sogra. Ela ganhou de casamento há mais de seis décadas e pouco tinha usado. Ficavam guardadas. Já era hora de exibirem sua beleza e sua utilidade com muitos brindes. O quadro da parede diz ‘Não temos Wi-Fi, brinque com os gatos’. Não é verdade, mas é divertido. Por eu gostar de gatos, ganho muitos presentes com esse tema. Do lado da minha máquina de café, colherzinhas enfeitadas com gatinhos arrancam comentários de todos que as usam. Presente da Lutti, que diagrama essa página. Precisam ficar expostas! Um quadro do artista santista Eber de Góes, do estilo sumiê, fica bem do lado de uma foto nossa, com um sorriso radiante diante do Coliseu de Roma. Não há sentido na combinação, mas achei que ficou bonito. Assim como as esculturas de pedra-sabão de Minas Gerais ficam ao lado da moringa pintada à mão que trouxe de Salvador. Fazem sentido no meu lar. Na parede, pratos de terracota belíssimos foram cuidadosamente transportados pela minha irmã Fanie de Alter do Chão, o Caribe do Pará. Eles se misturam a outros que fui comprando ao longo dos anos, em diferentes viagens para combinar com os primeiros. Gosto de pendurá-los na parede porque me fazem lembrar não só dos lugares que visitei, mas também das histórias e das pessoas que compartilhei esses momentos. Cada objeto que recolho me faz pensar em como o lar é feito desses pedaços. Cada item é uma parte do que fomos nos tornando ou do que já fomos, de quem amamos, de quem já se foi, mas está ali naquele pedacinho que tem lugar cativo. Entre os itens a serem protegidos está a caixa de papelão que um dia transportou a air fryer. Agora, forrada com um cobertor, é a cama do João, nosso gato. Ao lado, a caminha de luxo que comprei no pet shop é solenemente ignorada. O pintor chegará, as paredes mudarão de cor, mas logo, depois que literalmente a poeira baixar, as peças temporariamente escondidas voltarão a seus lugares para contar suas histórias e nos lembrar de risos e afetos.