O aroma inconfundível do grão torrado domina as ruas históricas nos transportando para os tempos em que esse ouro negro era o principal pilar da Cidade (Alexsander Ferraz/AT) Os fãs incondicionais de verão não vão gostar, mas nada como um friozinho gostoso, ameno, desses que a gente tem em Santos. Ainda mais se o céu fica azul, como tivemos em alguns dias desta semana. Foi preciso correr para tirar do fundo das gavetas os pijamas mais quentinhos e meia dúzia de casacos. Eles ficam praticamente escondidos o ano todo, abandonados à própria sorte. Mas nada que água e um bom amaciante não deem jeito. Só consigo pensar em tomar um caldo verde à noite ou quem sabe uma sopinha de feijão com macarrão de argolinha, como minha mãe fazia. Posso até sentir o perfume só de imaginar. Chamar os amigos para uma noite de queijos e vinhos ou até um fondue. Só dá para fazer isso no friozinho – se bem que uma sopinha eu tomo em qualquer clima. Neste fim de semana prolongado, o Centro de Santos recebe um dos eventos mais legais do ano: o Festival do Café, que combina muito com a atmosfera do nosso inverno tranquilo. O aroma inconfundível do grão torrado domina as ruas históricas nos transportando para os tempos em que esse ouro negro era o principal pilar da Cidade. A riqueza dessa herança tão saborosa pode ser revisitada no festival de forma divertida pelos pontos históricos, pelas torrefações que resistem há mais de um século e, principalmente, pelas degustações dos muitos cafezinhos que serão oferecidos nos quatro dias. Eu sou uma apaixonada, daquelas que tem cafeteira de cápsula, elétrica, italiana, prensa francesa, coador V-60 etc. Não sou barista, nem especialista, só apreciadora. Gosto de tomar café. Acho que teria um surto se o médico me falasse para cortar o cafezinho. Não consigo começar o dia sem ele. É como se o corpo não ligasse. Engraçado que até a adolescência eu não gostava de café. O gosto da gente vai mudando, né? Tem também aquela magia do lugar ou da companhia. Amo tomar café na padaria. Eu sei. Não é o melhor cafezinho que existe. Mas aquele clima de balcão de padoca, com pão com manteiga na chapa e um pingado (ou um espresso, dependendo do sono), é incomparável. Deixa tudo melhor. Tenho aderido também a essa onda de brunch, que não é nem café da manhã nem almoço, sendo os dois ao mesmo tempo. No domingo, isso é perfeito. Nem sei porque demoramos tanto para fazer isso. Acordar tarde, fazer tudo mais devagar e ir num lugar gostoso para um desjejum preguiçoso e indulgente, cheio de delícias que podem até ser saudáveis, mas precisam ser bonitas e bem feitas. E com um café triplo para depois já emendar na taça de vinho. Afinal, é inverno.