(Divulgação/COB) Devia ter um decreto que de quatro em quatro anos, junto com a Olimpíada a gente também tivesse férias. Está difícil manter o ritmo de trabalho e de vida, enquanto a Rebeca Andrade dá suas piruetas mágicas ou o Gabriel Medina consegue surfar a onda perfeita. Sim, por aquele 0,01 que tiraram dele foi puro preciosismo de quem acha que o 10 foi aposentado com a Nadia Komanethi. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Montei um esquema para fazer tudo em frente à TV. Já acordo com o controle remoto na mão. Tomo café da manhã assistindo a alguma bolinha indo de lá para cá. Depois, sigo me trocando, me penteando e já até assisti do celular um set disputadíssimo de vôlei enquanto tomava banho. Nesse momento, estou acompanhando a nossa Bia Souza, do judô, dando um show no tatame, enquanto escrevo essa crônica. Ainda bem que dizem que mulheres conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Pelo menos hoje é possível ver tudo na hora quem a gente quiser, com as plataformas de streaming. Porém, a emoção do ao vivo é outra coisa. Nada como ficar secando a ginasta adversária, a skatista japonesa que parece nunca errar (apesar de ter saído das fraldas ontem). Ou xingar o juiz que dá uma nota que a gente acha absurda, mesmo com comentarista explicando com todos os argumentos técnicos os bons motivos que o árbitro teve. Afinal, nos Jogos Olímpicos a gente vira especialista em tudo, até em esporte que nunca tinha nem visto. Se tem brasileiro, nós já achamos que estamos sendo roubados. Bricadeiras à parte, o resultado que temos visto na ginástica artística não é fruto de um talento individual, apesar de Rebeca ser excepcional. É de um investimento de longo prazo. A Confederação Brasileira de Ginástica foi fundada em 1978, dois anos antes da primeira participação olímpica. Depois, a instauração da Lei Agnelo/Piva, de 2001, e da Lei de Incentivo ao Esporte, de 2006, foram fundamentais. Assim como a chegada dos técnicos ucranianos no início dos anos 2000. Além disso, a estrutura dos clubes, como o Flamengo, revelando e investindo em talentos tem renovado e dado continuidade ao que Daiane dos Santos e os irmãos Hipolyto sedimentaram. Esporte é trabalho que exige investimento a longo prazo. Assim como acontece no judô, um dos esportes que mais traz medalhas e que tem investimento contínuo de clubes como o Pinheiros, da Bia Souza. Não é de uma hora para outra. E nós, torcida, podemos fazer nossa parte, seguindo esses atletas nas redes sociais, interagindo com eles, mostrando que eles são importantes, mesmo quando não trazem medalhas. Porque diante de tantas dificuldades que enfrentam, só de estarem em Paris e em outras competições, são sim vencedores e não é clichê. Quantas vezes você passou por um semáforo e viu um atleta vendendo doces ou fazendo uma vaquinha para poder ir à um torneio? Muitas, não é? Somos um país em desenvolvimento. Temos muito o que melhorar. E podemos fazer a nossa parte também. Hoje, seguir alguém nas redes sociais é um prestígio. Então, siga atletas que você admira. O esporte muda a vida de crianças, de uma comunidade. Assim como a cultura e a arte. E, assim, cada vez mais, de quatro em quatro anos, a gente vai ter mais motivos para querer férias durante os Jogos Olímpicos, assim como tenho desejado. Vai, Brasil!