(Imagem gerada por IA) Não sei quem inventou a Semana das Crianças com cabelo maluco, mochila maluca, meia maluca e dia da fantasia. Mas gostaria de conhecer essa pessoa. Tenho algumas perguntas, começando pela mais importante: por que você não inventou isso quando eu era criança? Agora, as mães, essas devem querer saber se ela sabia o trabalho que dá revelar essa veia artística. Para quem não tem a incumbência de transformar a cabeça de uma criança em obra de arte, a mochila em objeto de ficção científica e uma meia em instalação luminosa, este é o período mais divertido do ano nas redes sociais. É uma explosão de criatividade! Vi um cabelo maluco de brigadeiro, com a cabecinha inteirinha confeitada com granulados. Outro era uma gaiola com um pintinho de verdade (!). Achei a ideia diferente, mas confesso que minha primeira preocupação foi imaginar o bichinho fazendo suas necessidades na cabeça da menina. É arte com riscos. Teve cabelo do El Niño, com raios que acendiam e apagavam, e meias com pequenos leds piscando. Vi mochila que virava Transformer – se transformava em ônibus escolar, com fotos de todos os alunos da classe. Sem falar no galo na cabeça, na fantasia de sanduíche e nos gêmeos transformados em ovelha, com algodão colado pelo corpo inteiro e o rosto pintado de preto. É preciso reconhecer: as mães brasileiras merecem um diploma em artes plásticas, engenharia, elétrica e produção de eventos. Tudo com especialização em trabalhos manuais feitos de madrugada. Minha irmã, por exemplo, passou o fim de semana de folga preparando tudo para a jornada maluca que estava por vir. Minhas sobrinhas foram de cabelo de arco-íris, porque são mais fofinhas. E ainda ganharam mochilas temáticas com personagens de que gostam feitas com caixas de sapato. Personagens que, aliás, eu nem sabia que existiam. Foi uma imersão na cultura pop atual. Imagino que a fantasia oficial das mães nesta semana seja olheiras com cabelo arrepiado. Afinal, alguém precisa pesquisar referências, comprar materiais, cortar, colar, pintar, montar e torcer para que a criação sobreviva ao trajeto até a escola. Tudo isso sem que a criança mude de ideia no último minuto. Vi uma que não deu muito certo. Era uma espécie de lagarto que tinha uma língua de sogra na boca. O problema foi descolar. O cabelo das crianças, dois irmãos, veio junto. O resultado foi uma careca no centro da cabeça. Brincadeiras e desastres à parte, há muito amor envolvido nessas produções. As crianças adoram exibir suas invenções, e dá para entender a alegria de participar. Mas, enquanto elas desfilam orgulhosas, nós, meros mortais que acompanhamos tudo pelas redes sociais, temos o privilégio de aproveitar o espetáculo sem precisar comprar cartolina, pistola de cola quente ou um saco de granulados. Não sei quem inventou essa moda, mas gostaria de agradecer. A Semana das Crianças virou um festival de atrações a cada rolagem de tela. Dá até para pegar a pipoca. As mães que me perdoem, mas, para mim, é pura diversão. A criatividade é delas, a alegria é das crianças e o entretenimento é nosso. Tudo sem olheiras, cabelo arrepiado ou pintinho na cabeça.