(Imagem gerada por IA) Aos 30 graus à sombra, com o ar-condicionado lutando contra o calorão e o café gelado suando mais que eu, descobri um novo truque para sobreviver ao verão brasileiro: assistir aos Jogos de Inverno. Funciona. Juro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É quase terapêutico ver gente tremendo de frio enquanto eu derreto no sofá. A mente dá aquela bugada deliciosa: o corpo aqui em Santos, o cérebro numa montanha gelada na Itália. Parece que dá até uma refrescada psicológica e, convenhamos, qualquer ilusão térmica já é lucro. E o melhor de tudo são os memes. O Brasil inteiro descobrindo o curling está sendo um espetáculo paralelo. Dois amigos, um rodo e um ferro de passar roupa viraram atletas olímpicos improvisados na sala de estar. O chamado “xadrez do gelo” é estranho no começo, parece uma mistura de faxina com bocha, mas, quando você entende a estratégia, fica hipnótico. De repente, você está torcendo para uma pedra deslizar milimetricamente melhor que a outra. É o tipo de esporte que te conquista e você nem percebe. Para quem gosta de adrenalina, os saltos do snowboard são de outra dimensão. Aqueles mortais triplos, quádruplos, e sei lá mais quantos plos… é gente meio maluca, sem dúvida, mas necessária. Alguém precisa desafiar a física para o resto da humanidade assistir em segurança, comendo pipoca. Agradeço. Eu, porém, sou da patinação artística. Meu marido acha chato. Eu fico completamente grudada na telinha. Tem aquele atleta dos Estados Unidos, com rosto de Pequeno Príncipe, que dá um mortal para trás no gelo como se estivesse desafiando a gravidade por puro hobby. E o casal que parece touro e toureiro numa arena congelada, numa coreografia que mistura força e sincronia absoluta. É poesia com risco de fratura exposta. Talvez por isso seja tão fascinante. Se deixar, fico no revezamento olímpico mais improvável da história: Jogos de Inverno e BBB26. Podem me julgar, mas essa temporada está impossível de largar. Do café da manhã ao jantar tem treta, reconciliação, monólogo dramático, dancinha, make derretendo, expulsão e gente falando sozinha para a câmera. Mas também tem gente engraçada, humana, imperfeita. Sou fã da Chaiany. Ela tentando hablar em espanhol é entretenimento puro. E a história dela é a de tantas mulheres brasileiras: gravidez adolescente, maternidade solo, luta diária, mas sem perder o humor e a esperança. Ali dentro, ela achou seu grupo, se impôs de igual para igual entre camarotes e veteranos, e realmente acho que ela pode ir longe. É a minha torcida. Gosto de gente autêntica, espontânea, que não ensaia cada fala no espelho do banheiro. No fim, percebo que estou aqui, suando no verão tropical, torcendo para gente deslizando no gelo e para gente confinada numa casa cheia de câmeras. Dois universos completamente diferentes, mas igualmente viciantes. E sabem o que mais os dois têm em comum, além de renderem uma enxurrada de memes nas redes sociais? São feitos por gente de verdade. Nada de inteligência artificial, robôs ou algoritmos decidindo cada gesto, cada tropeço, cada emoção. São humanos errando, acertando, improvisando, rompendo barreiras. E isso, ainda bem, ainda nos cativa.