(Adobe Stock) Acho que já ficou claro para quem me acompanha que, além de gostar de cozinhar, eu amo comer. Experimento de tudo, desde que não fira princípios éticos ou sanitários, lógico. Vi que a moda agora são os doces asiáticos. De verdade, tem uns maravilhosos, como aquela choux de creme suave, com o equilíbrio que só os orientais possuem. Eles usam aqueles ingredientes para nós ainda diferentes como matchá, shissô, missô... Aqui em Santos, que temos uma colônia japonesa bastante presente, conhecemos alguma coisa, como os docinhos de pasta de feijão que, sinceramente, nunca achei muita graça. Questão de hábito, de cultura. Afinal, os doces asiáticos são parecidos com o estereótipo de seus criadores, controlados, equilibrados. Gringos quando vêm ao Brasil acham nosso brigadeiro muito doce, talvez combinando a nossa intensidade. Não deixam de ter razão, mas é por isso que a gente adora. A abundância de açúcar por aqui, desde o Brasil-colônia enraizou essa confeitaria nacional com índices de doçura do tamanho da importância que esse ouro branco teve na formação do País. Os engenhos faziam parte da paisagem e a sacarina da cana foi se misturando às frutas tropicais resultando nas nossas compotas, doces cremosos e bolos típicos. Sou daquelas que acha doce de leite melhor que Nutella e goiabada melhor que marrom-glacê. Mas voltando aos doces orientais, é óbvio que a moda veio das viralizações nas redes sociais. E, portanto, a estética conta mais do que o sabor. Sabe que sobremesa tem feito sucesso? Um pudim de baunilha, com gelatina, em forma de gatinho ou coelho, que balança, meio que rebolando, quando você mexe o prato. É fofo? Sem dúvida! É gostoso? Preciso experimentar, mas tendo a achar que é sem graça. Há versões com calda de frutas vermelhas, que deve incrementar. A inspiração veio da Coreia do Sul que, aliás, é mestre em difundir sua cultura mundo afora. Vide o fenômeno K-Pop, doramas... A gastronomia também vem sendo exportada. Podem procurar na Internet. Vocês vão querer experimentar ou reproduzir. Porque é divertido. Quem não quer uma sobremesa interativa com um gatinho rebolando? Hoje é assim, vivemos na era da estética. Se você não está nas redes sociais praticamente não existe. Se vende algum produto ou ideia então, não há como fugir dessa vitrine. E por tratar-se de uma vitrine, de um expositor, é preciso chamar a atenção. Ou é aparentemente bonito ou é autêntico. Diante do oceano de coisas sendo compartilhadas, a fama pode ser também efêmera. Então, dá trabalho se manter ‘vivo’ nesse mar de posts. Não invejo quem tem sempre que estar pensando em como se destacar e conseguir surfar nas ondas que mudam a cada sopro. Hoje, para abrir um restaurante, não basta servir uma boa comida, ter um bom serviço. É preciso que o cardápio seja esteticamente ‘postável’. Precisa viralizar, ser divertido ou indulgente ou espetaculoso. Enfim, tem que causar vontade em quem de filmar, fotografar, exibir, compartilhar. Comer vem em segundo plano. Sem contar os publis que invadem nosso feed nos apresentando uma infinidade de lugares com posts cheios de eufemismos e pessoas comendo sem parar. Estou falando de comida, mas o mesmo vale para maquiagem, roupa, cosmético... Não posso ficar navegado nas redes sociais se estou com insônia. Me dá vontade de comprar tudo o que aparece. Eu sei, a última coisa que devemos fazer quando não conseguimos dormir é pegar o celular. Mas tem madrugadas que não resisto. Sempre fui uma pessoa que se vangloriava de dormir bem. Daquelas que até demora um pouco para pegar no sono, mas quando embala vai até de manhã. Isso mudou. Desde a pandemia, meu sono é instável. Já tentei de tudo, de meditação a chá de camomila, o que ajudou, mas de vez em quando me vejo acordada com o celular na mão. Daí, meu lado consumidora, que é bem dorminhoco, acorda. Outro dia chegou em casa uma miniatura de um vaso. Tinha uns 5 cm. Comprei achando que era do tamanho original. Virou brinquedo da sobrinha. Também enchi o carrinho do supermercado de madrugada para fazer o pedido pela manhã. Quando chegou, tinha limão para um ano. Queria meia dúzia deles, mas pedi meia dúzia de sacos. Fiquei com uns 60 limões na geladeira. Fiz caipirinha, limonada, frango no limão e saí dando de presente para amigos, irmã...Pelo menos tem quem leve vantagem com meus delírios de compras insones.