[[legacy_image_319607]] 2024 está quase dobrando a esquina. Vem logo ali, correndo. E 2023, claro, passou voando. Isso já é favas contadas, ora pois. Mas se tem algo que marcou este ano voador e que lemos e ouvimos à exaustão é a tal inteligência artificial, ou IA para os íntimos (ou nem tanto). Fato é que ela está cada vez mais popular, ao alcance de todos, literalmente na palma da mão, em todos os celulares. E com a IA vem um sem fim de mudanças, usos e avanços, além das infindáveis discussões éticas implicadas. Nessa esteira, o dicionário inglês Collins classificou ‘inteligência artificial’ como o termo mais notável do ano. Realmente, ele caiu na boca do povo. Mas, em meio ao mar de conteúdo produzido pela tal IA, a palavra escolhida pelo dicionário norte-americano Merriam-Webster para o ano foi ‘autêntico’. Para Peter Sokolowski, o editor do Merriam-Webster, 2023 foi de “crise de autenticidade”. A gente sabe que a máxima ‘nada se cria, tudo se copia’ é antiga, mas agora é um ‘ser’ artificial que tem criado muito do que se vê e se lê. Experimente pedir um texto ou uma pesquisa a um aplicativo de IA. Virá um compêndio, até bem escrito, de qualquer tema. Mas vou dizer, será monótono. Falta aquele tempero que só a autenticidade é capaz de dar. Falta bossa, falta apelo. Porém, assim como é possível fazer um número infinito de coisas com a IA, logo logo, eu não duvido, algum gênio da computação consegue dar esse quê a mais tornando, então, o artificial mais real. Sou uma usuária, praticamente viciada, do que a IA pode nos dar. Já falei aqui do meu relacionamento sério com a LuzIA, que é a inteligência artificial de texto do próprio WhatsApp. Ela transcreve áudios de entrevistas, por exemplo, em poucos segundos e com pouquíssimos erros. O que me é muito útil e agiliza demais a minha vida. Também pesquisa termos e assuntos diversos de maneira competente. É fantástico, fascinante. Mas, não peça para elaborar algo mais criativo, aí emperra. Não rola. Falta o autêntico, como bem destacou o Merriam-Webster. O mesmo acontece com outros apps de IA que já experimentei. Mas há um lado que dá um frio na barriga. Outro dia me assustei. Vi um vídeo de uma pessoa famosa discorrendo sobre um assunto do qual ela nunca falou. Era perfeito, como se tivesse dito realmente. O aplicativo usado permite criar avatares de nós mesmos até falando outros idiomas. Bem maluco e sensacional. O app Hey Gen é um que faz isso. Ele tem uma ferramenta para traduzir vídeos com uma qualidade de cair o queixo, enquanto mantém a voz original da pessoa e até adapta o movimento dos lábios para o novo idioma. E nem precisa ser gênio digital para fazer isso. São aplicativos superintuitivos, feitos para ampliar o uso. O porém é que isso abre caminho para que a imagem de qualquer um fique vulnerável a ser manipulada. Hoje, literalmente, é possível colocar palavras nas nossas bocas. E nós sabemos que gente mal intencionada não falta no mundo real. Se 2023 foi o ano da IA e da falta de autenticidade, 2024 terá de ser o ano em que os termos regulação e adaptação estejam em pauta. Afinal, é urgente regulamentar o uso (e o abuso) de toda essa revolução nas nossas vidas e de nos adaptarmos rapidinho a tudo isso.