[[legacy_image_240074]] Nas lembranças das coberturas de Carnaval no rádio santista e paulistano, também é bom recordar que muitos locutores de FM acompanharam desfiles na avenida da praia ou cobriram a folia nos clubes. Foi uma época em que as emissoras de Santos batiam recordes de audiência e transformavam qualquer evento num grande sucesso. Os locutores eram muito famosos, mas, além de brilharem na frequência FM, também batiam ponto nessas transmissões carnavalescas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pablo Garcia, o Pablão, esteve nas coberturas do Grupo Tribuna, e Betão Zarif cobriu desfiles e bailes do Sírio Libanês, do Atlético Santista e do Clube Internacional de Regatas. Douglas Gonçalves foi âncora de cobertura jornalística da Tribuna AM. Ele também cobriu os bailes do Ilha Porchat Clube. Luiz Torquato acompanhou os desfiles no Sambódromo do Anhembi pela Rádio Globo e também foi locutor oficial da Passarela Dráuzio da Cruz. Luciano Faccioli também foi repórter dessa festa popular pela Tribuna AM. Até o grande Milton Neves, fenômeno do rádio esportivo e da comunicação, desceu a Serra vários anos para cobrir muitos carnavais pela Jovem Pan. Falava de estradas, balsas movimento nas cidades e qualquer assunto que envolvia o período carnavalesco. O samba nunca sai da minha alma “Determinação me define. Sou muito decidida. Busco não desistir fácil”. É desse jeito que a nova Rainha do Carnaval santista, Erika Cristina, de 23 anos, representante da Unidos dos Morros, encara a vida. Cheia de personalidade, ela sabe muito bem o que quer. A história de Erika lembra a de muitas sambistas que descobriram o Carnaval bem cedo, mas ela se afastou e deu a volta por cima. A família dela era da Império da Vila. “O barracão da escola era dentro da minha casa porque o meu tio Alexandre Andrade era o carnavalesco da Império”. Com 7 anos, saiu pela primeira vez num carro alegórico com as crianças. Depois, só voltou quando já era adolescente. Em 2016, foi chamada para ser Princesa de Bateria, mas teve que trabalhar até tarde e perdeu a chance. Ficou chateada e resolveu ficar um bom tempo fora. “Demorei para voltar porque fiquei com vergonha, mas tinha vontade. Aí, veio o incentivo de um grande amigo, que também era sambista. Ele mexeu comigo. Me incentivou muito”. Erika chegou à Unidos dos Morros no mês de maio do ano passado. “Fui me integrando à escola e participei de ensaios. A ala de passistas me convidou para apresentações.” “Como minha família amava o morro, e eu também aproveitei a vontade que eu tinha de mostrar o que eu sabia, eles me abraçaram. Quando chegou o último dia para a inscrição do concurso da Corte Carnavalesca, resolveram me inscrever”, continuou. “Eu não me imaginava concorrendo, mas tive uma força muito grande. A direção da escola colocou a Juliana Leones, que foi rainha em 2017, para me preparar. E ela fez um trabalho muito bacana. Ela é perfeita, maravilhosa e fez toda a diferença na minha preparação”. O concurso foi no sábado passado, e Erika foi com toda a sua personalidade para as apresentações no Outeiro de Santa Catarina. “No dia do concurso, eu estava tranquila. Com uma ansiedade boa. Fui sozinha. Com a cara e a coragem”. Perguntei como ela ficou depois do resultado final. “Eu acreditava que fiz um bom trabalho. Eu nem chorei, mas fiquei muito emocionada”. Agora que Erika já está coroada, ela se diz preparada para brilhar na Passarela Dráuzio da Cruz. Erika Reis tem postura de rainha e sabe da força que tem para comandar a folia ao lado do Rei Momo, Lello Garoto. “O samba me cura, me trata e me ensina. O samba está dentro de mim. O samba nunca sai da minha alma.” [[legacy_image_240075]] A Rainha Ela é incansável. Tanto no trabalho diário como na busca para realizar sonhos. Marisa Santos tem 31 anos e é empreendedora, dona de um centro estético, onde chega a trabalhar 15 horas por dia. Mas, apesar da batalha profissional, não abre mão de brilhar no Carnaval. A Rainha de Bateria da Real Mocidade tem uma história bem legal. Ela começou a desfilar pela Camisa Alvinegra com apenas 7 anos, quando ainda havia desfiles em São Vicente. Depois, fez parte de grupos de axé e bandas de forró. Sempre esteve ligada à dança. Voltou à folia em 2013 para disputar o título de Rainha do Carnaval de Praia Grande pela Mancha Verde. Com a vitória, também foi convidada para ser rainha da escola. Já em 2015, tentou o concurso em Santos. Não conseguiu entrar para a Corte, mas foi coroada como Rainha em Cubatão. Inquieta, foi para a Sangue Jovem, onde desfilou como Princesa da Bateria. “Gostei muito, tenho um carinho enorme por eles, mas não conseguia conciliar ensaios, faculdade e trabalho.” Deu um tempo nos desfiles e, em 2019, voltou a concorrer e ganhou como Princesa do Carnaval santista. “Realizei o sonho de entrar para a Corte Carnavalesca de Santos. Foi um momento muito emocionante da minha vida.” Apaixonada pelo Carnaval, ela não parava. Em 2020, quando foi passar a faixa no último evento carnavalesco, acabou convidada para ser musa da Mãos Entrelaçadas. Com tantas experiências por escolas de Santos, estava decidida a parar com tudo, mas o amor pelo Carnaval falou mais alto, e ela foi competir em São Vicente. Novamente, acabou eleita Rainha. “Mais um título, mais uma coroa e mais uma faixa (risos). Mais uma vez, pensei em parar.” Só que o destino dela é mesmo brilhar na passarela. Por intermédio do Hermann Atelier, que prepara as suas fantasias, veio o convite para ser Rainha de Bateria da Real Mocidade. “Meu marido foi comigo à reunião com a escola já falando: ‘Mas você não falou que ia parar?’.” Ela não parou. Viu por que, no início desta reportagem, estava escrito que ela é incansável? Está explicado? Marisa não para de desfilar nem de trabalhar. No centro estético de bronzeamento artificial e natural, chega a dar expediente das 7 às 22 horas. “Só nos dias de ensaio eu encerro um pouco antes. Agora, a gente fica naquela expectativa. Quem gosta de samba já passa o ano pensando em desfilar. Imagine agora, na retomada do Carnaval? As emoções ficam à flor da pele.” Marisa conta as horas para sair na frente da Bateria Nobres Guerreiros, do Mestre Gordo, e está feliz da vida. “Fui bem recebida pela madrinha Néia e por todos os componentes da escola. Não vejo a hora de tocar a sirene para entrar na avenida”. Será que, depois desse desfile, ela vai conseguir parar?