O Leandro sempre foi guerreiro

Dono de um caráter e personalidades marcantes, Leandro Guilheiro deixa um legado vitorioso para quem sonha com uma Olimpíada.

Por: Eduardo Silva  -  06/01/21  -  17:57
Leandro Guilheiro anunciou a aposentadoria aos 37 anos
Leandro Guilheiro anunciou a aposentadoria aos 37 anos   Foto: Reprodução/Instagram

O supercampeão de judô, Leandro Guilheiro, anunciou a despedida dos tatames, depois de mais de 30 anos lutando. Sim, ele lutou demais.


Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!


Contra os adversários, contra as dores, as contusões e as 12 cirurgias. Também lutou contra as dúvidas e as suas próprias convicções. Quem não vive com essas dúvidas? Leandro tem 37 anos de idade, mas desde que eu o conheci garotinho, sempre me passou muita maturidade.


Ele tinha 6 ou 7 anos anos, era o Leandrinho, quando o professor Ivo Nascimento me pediu para ficar de olho naquele garotinho. Foi a primeira vez que eu via aquele menino, mas fiquei impressionado porque ele já parecia um adulto. Algum tempo depois eu entendi que a criação familiar, e os conselhos da supermãe, Dona Regina, formaram sua personalidade desde cedo. Eu tive a sorte de ver o Leandro treinando, competindo, e vi pela TV algumas de suas conquistas maravilhosas.


Mas por trás daquelas conquistas estavam segredos, que só ele, os médicos, os fisioterapeutas, e claro, a Dona Regina conheciam: as dores sem fim de um atleta quase perfeito. Quando era criança, Leandro sonhava chegar numa Olimpíada no auge da sua forma física, mal sabia ele que o destino reservava algumas surpresas não tão agradáveis e muitas contusões, justamente no período olímpico. Ele lutou contudido em Atenas (2004), e Pequim (2008).


Mas era o único jeito, afinal um ciclo olímpico dura 4 anos, e a medalha olímpica de judô, em cada categoria, é disputada num único dia. E foi assim, mesmo fora das melhores condições clínicas, que Leandro garantiu duas medalhas de bronze. Ele construiu uma carreira maravilhosa, que ainda inclui medalhas em campeonatos mundiais, ouro e prata nos Jogos Pan-americanos, viagens e outras façanhas pelo mundo inteiro, além de fazer a lição de casa e ganhar muitos campeonatos regionais e nacionais.


Mas com tantas vitórias na bagagem o que será que fez Leandro Guilheiro prolongar a vitoriosa carreira? Simples. Uma paixão pelo esporte e uma vida inteira de muita dedicação ao judô. Vi muitos atletas de ponta competindo. Tenho alguns ídolos e o Leandro é um dos principais. Ele soube, como poucos, unir técnica, força e disciplina cada vez que entrava no tatame. As vitórias vieram naturalmente, dignas de um judoca extraordinário, que sempre foi admirado. E não só como atleta. Dono de um caráter e personalidades marcantes, ele deixa um legado vitorioso para quem sonha com uma Olimpíada. Basta treinar e se dedicar como um Leandro Guilheiro. Foi uma honra ter a sorte de acompanhar um herói olímpico. Obrigado, Leandro. Para sempre: Guilheiro e Guerreiro.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
Logo A Tribuna