[[legacy_image_241827]] A escola de samba Mocidade Independência tem uma rainha de bateria que é roqueira. Isso mesmo. Juliana Alves Leones, de 28 anos, ama intensamente o Carnaval, mas tem rock ‘n’ roll na veia. A explicação é simples. Ao contrário de muitas jovens que frequentavam as quadras de escolas de samba desde cedo, Juliana cresceu num ambiente que não tinha nenhum sambista e passou a infância ouvindo rock. Fã de Freddie Mercury e do Queen, mas ligada em Aerosmith, Beatles, Scorpions, Bon Jovi, Metallica, Guns N’Roses, Creedence Clearwater Revival, Bee Gees, Phil Collins e Elton John. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Mesmo apaixonada por rock, Juliana, aos 14 anos, acompanhou a amiga Renata, que tocava surdo, para ver a um ensaio da escola Folia 99, em Praia Grande. O mestre de bateria Fernando Oliveira a puxou para sambar. “Fui, mesmo acanhada, porque nunca tinha sambado. Algo aconteceu. O som da bateria e o ambiente mexeram comigo”. Depois da primeira vez na Folia 99, “eles me convidaram para a comissão de frente. Eu ouvi, fiquei de pensar. Eu topava tudo, porque meu sonho de criança era ser bailarina clássica. Como não pude seguir meus sonhos, eles foram se transformando”. “A comissão de frente não virou. Fui para a ala de passistas e eles me prometeram o título de rainha da bateria quando eu chegasse aos 18 anos”. Assim coroada, foi chamada para concorrer pela escola à Corte de Praia Grande. “Aí, fui para a academia, comecei a ensaiar, cada vez mais, e me preparar para novos desafios. Fui eleita musa do Carnaval de Praia Grande.” Ela não parava. “Em 2015, recebi o convite da União Imperial para concorrer como rainha da escola, mas não me sentia preparada. Mesmo assim, eu ganhei. Fiquei um ano, até passar a faixa para a Scheila Carvalho. Ainda em 2015, fui coroada rainha da Independência do Casqueiro”. Um ano depois, a União Imperial a chamou novamente. Agora, para concorrer à Corte de Santos. “E achei que não ia ganhar. Pensei que talvez fosse princesa. Mas, quando anunciaram a princesa vencedora, comecei a chorar no camarim, porque tinha certeza de que não ia ganhar mais nada”. Mais uma vez, porém, foi coroada rainha, um título que Juliana não procurou, mas estava no destino dela. “Para ser bem honesta, a ficha só caiu meses depois. Foi uma honra muito grande, mas eu não esperava mesmo.” Em 2018, ela foi para a Mocidade Dependente do Samba e, de tão bem acolhida, está lá até hoje. Agora, o nome da agremiação é Mocidade Independência. Você já sabe do amor dela pelo rock e pelo Carnaval, mas faltou outra paixão: o Corinthians. “Eu amo futebol. Vejo os jogos desde os 11 anos e, aos 18, entrei como sócia da Gaviões da Fiel”. Como boa corintiana, também faz parte do bando de loucos. “Em 2019, fui musa do bloco da Pavilhão e, em 2020, fui rainha.” Neste ano, Juliana vai realizar outro sonho: desfilar como musa na Gaviões da Fiel. Ela se entrega a essas paixões, e o Carnaval tem uma importância muito grande na vida dela. “É onde me sinto feliz. Faz bem para a minha saúde. Perdi meus pais muito cedo. Perdi meu padrasto, Valter Rodrigues da Silva, que foi meu pai e minha mãe ao mesmo tempo, e restou o Carnaval. É quando eu me esqueço de tudo”. Juliana é assim mesmo. Não para de sambar, de ensaiar e de torcer para o Corinthians. Ela divide suas paixões. Pode ser musa, princesa ou rainha, mas também poderia ser a diva do rock.