[[legacy_image_241260]] ALÔ, POVO DO SAMBA. Contagem regressiva para o desfile oficial de Santos, nos dias 10 e 11 de fevereiro, na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz. As escolas estão programando a reta final dos ensaios. Na sexta, dia 10, vão desfilar Dragões do Castelo, Zona Noroeste, Bandeirantes do Saboó e Vila Mathias, pelo Grupo de Acesso. Em seguida, entram as escolas do Grupo Especial: Brasil, Amazonense, X-9 e Mãos Entrelaçadas. No sábado, dia 11, Padre Paulo, Império da Vila e Imperatriz Alvinegra. Para fechar a segunda noite, pelo Grupo Especial, Sangue Jovem, Unidos dos Morros, Real Mocidade, Independência e União Imperial. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Rainha“Carnaval é paixão. Meu amor maior”. É assim que Vânia Hak, rainha da escola de samba Unidos dos Morros resume sua relação com essa grande festa popular. Vânia gosta muito de Carnaval e essa paixão só foi crescendo, graças à própria família. Adorava desfilar com a mãe, Namir Ritter, que faleceu em 2020, durante a pandemia. Como o marido — o comerciante André Nicola, que foi campeão de boxe na década de 1990 — sempre foi torcedor fanático do Santos, o caminho para a Sangue Jovem foi natural. Eles começaram nos tempos da banda e, quando a Sangue Jovem virou escola de samba, Vânia chegou a desfilar como princesa. Depois de um bom tempo desfilando com os torcedores santistas, ela foi para a Unidos dos Morros em 2017, convidada pelo presidente Fábio Negão, e coroada rainha da bateria. “Eu já gostava muito mesmo de Carnaval, mas, quando me integrei à escola, me apaixonei completamente pela comunidade e pelos amigos que eu fiz aqui”. Depois de reinar por três anos à frente da bateria, ela ganhou o posto de rainha da escola. “Ser rainha da escola é um peso ainda maior. A responsabilidade já era grande como rainha da bateria. Agora, me sinto responsável por vários setores: baianas, passistas, alas e a bateria.” Ela se preocupa, realmente, com todos os setores, mas sem esquecer a relação com a Bateria Chapa Quente, do Mestre Daniel. Aí, a emoção fala mais alto. “O Mestre Daniel é meu amigo. Daniel é meu ídolo. Tem o meu respeito, é o mestre dos mestres. E a Carolina, mulher dele, que cuida da harmonia da Corte da bateria, nos ajuda em todos os desfiles, virou minha irmã do coração. A bateria é minha segunda família. Amizade do dia a dia. O que nós vivemos ali é um clima maravilhoso. Uma cumplicidade bacana”. Mestre Daniel confirma a afinidade. “Elas têm uma relação muito próxima até fora da escola. E a Vânia, mesmo sem estar na bateria, está sempre junto com a gente. Em todos os ensaios e eventos.” Vânia gosta de acompanhar toda a preparação da escola do coração. “Carnaval não é só avenida. Tem apresentações, festas comunitárias, tudo muito legal”. E a rainha da escola está ainda mais ansiosa para este Carnaval. “Este ano vai ser mais especial ainda porque é o ano da retomada. O ano passado já era para ter. A expectativa era enorme, mas não deu certo.” Nas redes sociais, em cada postagem, Vânia valoriza a Unidos, a bateria, os componentes de toda escola, e vive declarando seu amor por esse lindo espetáculo de todos os anos. “Carnaval é amor e carinho, que se transforma num lindo show. Ainda mais com a homenagem ao saudoso Armênio Mendes, que tem uma história muito importante na nossa Cidade.” Falando em homenagens, ela faz questão de agradecer à saudosa Michele Mibow, símbolo da escola, que morreu no ano passado e comoveu toda a comunidade do samba. “Ela me recebeu muito bem. Michele chegou a me dar aula de samba e se tornou uma grande amiga. Já fizemos algumas homenagens, e todas muito merecidas.” Vânia vai aproveitar os últimas semanas antes do desfile para ensaiar ainda mais. Ela quer estar pronta para brilhar na Passarela Dráuzio da Cruz. “O toque de bateria, a dança com amor me inspiram e me motivam. Eu me esqueço de tudo na quadra e na avenida, que é a nossa vitrine principal.” [[legacy_image_241261]] Aldinho da União ImperialTodo mundo sabe a responsabilidade que é ser presidente de uma escola de samba. Imagine ser o dirigente máximo de uma agremiação por vários anos e, quando não está no comando, aceitar o desafio de ser diretor de Carnaval ou Harmonia. Essa foi a missão de Heldir Lopes Penha, o Aldinho, na maior parte dos últimos 45 anos. A história de Aldinho no Carnaval começou há muito tempo. Lá em 1967, os pais dele e dos amigos eram dos tradicionais blocos Dengosas do Marapé e Embaixada de Santa Tereza. Dali para a Banda da Cosipa, os mais jovens aprenderam a tocar com o maestro Roberto Farias. “Depois fomos para o Bloco Diabos da Vila Mathias. Estava surgindo aos poucos a União Imperial, entre o Marapé e a Vila Mathias”. O começo foi cheio de ideias e com algumas divergências. A escola se fixou no Marapé. “Eu sei que, aos 19 anos, recém-saído do quartel, o Simonal me convenceu a ser o presidente. E assim começou a minha longa história na União”. Longa mesmo. Aldinho foi presidente por vários mandatos, participou de desfiles históricos e sempre brigou pela Verde e Rosa do Marapé. Ele dirigiu a escola de 1977 a 1979, de 1992 a 1997, voltou entre 2001 e 2005 e foi diretor de Harmonia e de Carnaval em muitas conquistas da União. “A União representa minha vida inteira. Muitos anos de dedicação. Tanto que nunca vesti outra camisa. Já tive convites, até remunerados, mas nunca aceitei.” Num bate-papo com Aldinho, o dirigente que fez história na União vai lembrando os sambas que marcaram e os desfiles inesquecíveis. De personalidade forte e, ao mesmo tempo, muito emotiva, Aldinho tem muito orgulho dos títulos que foram para o Marapé com ele na presidência ou como diretor. Mas quem gosta de Carnaval não recusa convite. O currículo dele também é grande fora do Marapé. “Participei das primeiras associações de Carnaval, fui o coordenador de Carnaval da Prefeitura de Santos na volta dos desfiles, em 2006. Também fui dirigente da Liga Metropolitana, Presidente do Conselho dos Presidentes e, por nove anos, da Liga Independente das escolas. Ainda tive o prazer de idealizar o Conselho do Samba.” Aldinho tem uma vida inteira ligada ao Carnaval. Quem disse que ele aguentou ficar totalmente longe desse ambiente que conhece tão bem? “Atualmente, sou o presidente da Velha Guarda da União Imperial. Não vou mentir que não sinto falta daquela adrenalina de preparar a escola, de cuidar de todos os detalhes. Mas também não nego que estou muito feliz com os meus amigos da vida inteira nas apresentações da Velha Guarda pela Cidade. É um clima de nostalgia. A gente volta no tempo com nossa ala musical. Tudo isso tem um clima muito gostoso”. Amanhã, às 18 horas, eles vão se apresentar na Praça do Aquário, na Ponta da Praia. “E nós esperamos vocês.”