[[legacy_image_230791]] Os deuses do futebol combinaram com os deuses da comunicação. Tinha que ser na melhor final de todos os tempos a despedida do nosso narrador mais emblemático. Aquele que embalou as vitórias brasileiras no futebol, nas Olimpíadas, Jogos Pan-Americanos e na Fórmula 1. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Carlos Eduardo Galvão Bueno se despediu neste domingo (18) como narrador de Copa do Mundo pela TV Globo. Foi um dia de glória para o futebol e para o jornalismo esportivo. Com dois craques da bola em campo. E um craque do microfone na posição dos locutores no Estádio Lusail, no Catar. No seu último jogo de Copa, Galvão foi simplesmente Galvão. Se emocionou, elogiou, exagerou e ganhou de presente um jogo inesquecível, à altura de sua linda carreira como narrador esportivo. Eu adorei tudo. Da abertura do Luís Roberto se emocionando ao passar, com um beijo no rosto, a transmissão ao Galvão, até a comemoração da Argentina, e depois o vídeo da Globo, com torcedores e funcionários da emissora fazendo uma linda homenagem. Galvão fez história desde quando começou na Rádio Gazeta de São Paulo, ao passar num teste promovido pela Fundação Cásper Líbero, para escolher novos locutores. Depois, brilhou no início na Bandeirantes, transmitindo Fórmula 1, e se consagrou na Globo. Com sua voz marcante e muita emoção, ele foi a voz do Brasil nas grandes conquistas. Eu me emocionei em todas elas. Nas vitórias de Ayrton Senna da Silva, que ele rebatizou de Ayrton Senna do Brasil. Nas defesas de Taffarel, na Copa de 1998, “Vai que é sua Taffarel!” Na chegada emocionante do nosso revezamento 4 x 400 na Olimpíada de Sydney, em 2000. “É prata. É prata. É prata!” E as medalhas de ouro do nosso vôlei? E as conquistas de César Cielo e Gustavo Borges? E para fazer justiça, nenhum narrador do mundo esticou tão bem os “erres” para destacar os gols de Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. E Galvão não fez isso só no futebol. Ano passado, ele caprichou na Olimpíada de Tóquio. “Rrrrrrrrrebeca Andrade do Brasil!”, no ouro da nossa ginasta. São tantos bordões, tantas frases marcantes, tantos momentos especiais, que eu não saberei lembrar de todos e nem em qual deles eu me emocionei mais. Eu só sei que uma trajetória linda e longa como essa vai ficar na história de quem gosta de futebol e de transmissões esportivas. Galvão vai ser lembrado por muito tempo, porque quando nós recordarmos das vitórias brasileiras, vamos lembrar dele. Cada narração. Cada momento. A nossa história de vitórias tem uma grife: Galvão Bueno. Obrigado por tanta emoção.