O Santos venceu o Corinthians por 1 a 0 em 2 de dezembro de 1984 e faturou o Paulista com a marca de Serginho Chulapa (SIDNEY CORRALLO - ESTADÃO CONTEÚDO) O mundo do futebol é fascinante porque o torcedor de verdade é capaz de discutir lances de décadas passadas como se eles tivessem acontecido ontem. É assim com esse gol de Serginho, marcado no dia 2 de dezembro de 1984, na final do Campeonato Paulista contra o Corinthians, no Morumbi. Até hoje os torcedores se emocionam ao ouvir a jogada do gol. Alguns, mais fanáticos, guardam a gravação no telefone celular e mostram para os primeiros santistas que encontram nas ruas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As palavras do grande locutor Osmar Santos, pela Rádio Globo, desafiam o tempo e tocam o coração de quem ouviu aquela narração emocionante. Eram jogados 27 minutos do segundo tempo quando o Pai da Matéria descreveu o lance que ficou para a história. Osmar Santos sabia das qualidades do artilheiro santista. Serginho podia ser polêmico e até briguento, mas era adorado pelos colegas do Santos, afinal, era ele que garantia o bicho (premiação em dinheiro depois de cada vitória) para toda a equipe. Ele foi o goleador da competição com 16 gols, ao lado de Chiquinho, do Botafogo de Ribeirão Preto. Serginho, que anos mais tarde ganharia o apelido de Chulapa, realmente fez a diferença na conquista daquele título, quando os campeonatos estaduais eram muito importantes. Na foto, o time dirigido pelo técnico Carlos Castilho. Em pé o goleiro Rodolfo Rodríguez; Gilberto Sorriso, Márcio Rossini, Toninho Carlos, Chiquinho, Toninho Oliveira e Dema; Agachados: Gersinho, Lino, Paulo Isidoro, Serginho, Humberto, Ze Sérgio e o mascote Lela (REGINALDO MANENTE/ESTADÃO CONTEÚDO) A montagem da equipe Aquele time que seria campeão começou a ser montado ainda em 1983, quando o dirigente Milton Teixeira foi chamado pelo ex-presidente Ernesto Vieira da Silva para auxiliar no futebol. Milton era ousado. Quando entrava num desafio, queria fazer o melhor. Não teve dúvidas de aceitar aquela convocação e começou a reforçar o time santista. Foi buscar estrelas do nível de Serginho Chulapa e Paulo Isidoro. No ano seguinte, em 1984, já como presidente, Milton oficializou uma troca de jogadores com o São Paulo. O meia Pita foi para o Morumbi. O volante Humberto e o ponta-esquerda Zé Sérgio chegaram à Vila Belmiro. Se a equipe de 1983 já era forte e vice-campeã brasileira, ficou mais competitiva com a vinda de um goleiro de nível internacional. O clube foi buscar um goleiro experiente, que defendia muito e tinha liderança incontestável. O Santos queria tanto trazer o goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez que até o Pelé foi chamado para colaborar, financeiramente, com a contratação. O comandante escolhido, o técnico Carlos Castilho, um ex-goleiro de muito sucesso do Fluminense e da seleção brasileira, foi uma ótima escolha e uma bela surpresa para quem não conhecia o trabalho dele. Castilho era muito sério, dedicado e conhecia muito de futebol. Aproveitou os novos reforços, armou uma defesa forte com os laterais Chiquinho e Toninho Oliveira e uma dupla de zaga bem entrosada com Márcio Rossini e Toninho Carlos. O meio de campo tinha Dema, que mostrou muita qualidade como médio-volante, e o experiente Paulo Isidoro, que era um jogador inteligente e taticamente perfeito. E ainda tinha Humberto, que era um leão em campo, e Lino, um jogador versátil que veio do Flamengo. Na frente basta citar os dois amigos que se conheciam desde os tempos do São Paulo: Serginho e Zé Sérgio. Também estavam no grupo os laterais Paulo Robson e Gilberto Sorriso. Os zagueiros Davi, Fernando e Pedro Paulo e os atacantes Gersinho, Ronaldo Marques, Ataliba, Serginho Dourado, Mário Sérgio, Mazinho Oliveira e Camargo. Defesa forte Essa equipe era temida pelos adversários porque tinha bons jogadores e de muita personalidade. Rodolfo Rodríguez, que marcou época com a camisa 1 do Santos, sempre revelou nas entrevistas que adorava atuar com os zagueiros Márcio Rossini e Toninho Carlos. Ele não cansava de repetir que se sentia seguro com o amigo Márcio, que chegava sempre junto dos atacantes. Márcio retribui a gentileza do ex-parceiro. “Jogar com o Rodolfo Rodríguez era brincadeira. O pessoal chutava e você sabia que tinha um goleiraço lá atrás. Às vezes a gente nem ia para o rebote, tamanha a confiança que a gente tinha nele”. Márcio não poupa elogios ao parceiro de zaga. “A dupla era perfeita. Eu saía mais na caça, e o Toninho Carlos tinha mais velocidade, desarmava e era muito difícil tirar a bola dele. Nas bolas altas eu ia muito bem. Na saída para matar a jogada a gente chegava um pouco mais duro. Um que chega mais e outro mais clássico, por isso que deu muito certo jogar com o Toninho”. O companheiro de zaga agradece. “Eu e o Márcio fizemos história com o manto sagrado do Santos Futebol Clube e chegamos à seleção brasileira. Quem chegava na Vila Belmiro tremia porque sabia a força do nosso time. Era um grupo unido, maravilhoso. Tenho orgulho quando os torcedores falam da nossa defesa, do Rodolfo e de todos os campeões”. Márcio só lamentou que a equipe foi logo desfeita. “Era um timaço. Se os jogadores seguissem no Santos seríamos campeões também em 1985, 1986 e 1987. Foi uma época maravilhosa em 1984”, comenta.