[[legacy_image_309983]] Os efeitos do temporal de sexta-feira, que atingiu o estado, inclusive a Baixada Santista, mas que colapsou a rede de energia na Capital, mostra como se está hoje vulnerável aos fenômenos mais intensos causados pelas mudanças climáticas. O caso paulistano precisa ser melhor investigado no aspecto técnico da infraestrutura e das responsabilidades da concessionária, mas as fragilidades ficaram bem aparentes. Centenas de árvores caíram, atingindo a fiação, um problema relacionado ao manejo, como regras de plantio e poda. Parece ser algo simples de ser conduzido, mas indicam o contrário as notícias de que mais de 1 milhão de paulistanos ficaram sem luz por mais de um ou dois dias e para uma parte a energia foi religada apenas ontem. Aliás, o apagão causou transtornos muito maiores do que se imagina. A Tribuna publicou ontem o caso do menino Pedro Ducati Lima, de 12 anos, da Vila Invernada, na Zona Leste, que tem atrofia muscular espinhal tipo 1 e depende de uma série de aparelhos conectados à energia para ter uma qualidade de vida, como ventilação mecânica para respirar, aspirador de secreção pulmonar e bomba de infusão para se alimentar. Com a casa dele no escuro, sua família teve de levá-lo para a residência da avó em outro bairro, provavelmente em uma ambulância especializada. Em resposta à sociedade, Governo do Estado, a concessionária Enel e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizaram reunião. Uma das decisões anunciadas foi a empresa prometer cobrir as perdas da apagão, o que já é garantido por lei e, segundo especialistas, há até um seguro nas contas para esse fim. Entretanto, a Aneel disse que vai criar um grupo de trabalho para desenvolver medidas preventivas para esta nova era de calamidades climáticas. Medida que espanta que já não tenha sido tomada, pois enchentes violentas ou seca não começaram neste ano. O Brasil, um país sem terremotos e furacões, sempre pecou pela falta de investimento em sistema de alerta à população e posterior socorro, registrando há décadas muitas mortes com queda de encostas, por exemplo, problema que poderia ser evitado com um eficiente programa habitacional. Agora, na emergência dos extremos climáticos, os governos têm que rapidamente aprender a lidar com tais questões de forma urgente. No temporal, oito mortes foram registradas, inclusive uma em Ilhabela. Neste ano ocorreram chuvas violentas com elevado número de perdas de vidas, como no Litoral Norte, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco, além da devastadora seca no Amazonas. No estado, a estiagem parece ter facilitado o desmatamento, causando as queimadas. No fim de semana, uma ventania espalhou a fumaça que já cobria Manaus, que há dias está com o céu encoberto. O setor público precisa agir com mais rapidez, punindo abusos, e a população deve pressionar de forma implacável por ações efetivas.