[[legacy_image_129238]] A Prefeitura de Santos identificou neste domingo (28), por meio das câmeras de monitoramento instaladas nas vias públicas, a autoria do despejo ilegal de tinta pela rede de drenagem da Cidade, que acabou pintando de azul toda a extensão das águas do canal 1. O homem é um zelador de prédio residencial localizado no bairro José Menino. Quando chamado a dar explicações, o zelador alegou que não imaginava que a tinta se espalharia por toda a extensão do canal. Em outras palavras, é possível intuir que, na mentalidade do homem, em ficando apenas na sarjeta não haveria qualquer problema. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A notícia, amplamente divulgada nos veículos de comunicação de Santos, passaria como trivial e menor, dessas que vêm e vão todos os dias em uma cidade fortemente urbanizada, onde vivem mais de 430 mil pessoas. Passaria como trivial e menor não fosse ela apenas parte de um todo, em que o convívio em coletividade sofre reveses em decorrência da falta de espírito cidadão, falta de civilidade, de educação ou de valores. Os canais de Saturnino de Brito são bom exemplo. A tinta azul da semana passada ganhou notoriedade porque apareceu para quem quisesse ver, mas um dos principais agentes de poluição dos canais não está à mostra, mas acontece permanentemente: as ligações clandestina de esgoto, feitas e assim mantidas por anos em residências e condomínios de bairros de classe média/alta, ao longo de toda sua extensão. Décadas atrás, a Sabesp, estatal responsável pelo esgotamento sanitário, juntamente com a Prefeitura de Santos, criou um sistema de caça às ligações clandestinas, que têm forte potencial de contaminação da praia. Muitos prédios ao longo dos canais foram identificados e multados. Outras cenas urbanas entram no mesmo capítulo da falta do espírito coletivo: o descarte equivocado de materiais inservíveis, entulho e restos de móveis em esquinas, praças, junto a árvores e até dentro dos canais. Santos é uma cidade muito bem contemplada por serviços públicos de limpeza urbana, e até um programa de cata-treco é mantido gratuitamente, com hora e dia agendados, mas pontos de refugo irregular podem ser vistos em quase todos os bairros. Se não é o próprio morador a despejar o material, é o carrinheiro que ele contrata para levar para longe o que não presta mais. A lista de práticas nada republicanas é longa. Inclui, também, o descarte de sacos plásticos com a sujeira dos pets nos canteiros das árvores ou mesmo nos cantos das calçadas, a bituca de cigarro em jardins e bueiros, e até o despejo de óleo e produtos químicos nas bocas de lobo. Todo esse cardápio de condutas equivocadas não diz respeito apenas à falta de noção civilizatória por parte de seus praticantes, mas onera o custo das prefeituras que, ato contínuo, repassam aos munícipes. Governos não são isentos de responsabilidade: devem fazer mais campanhas e manter mais fiscalização, mas a parte maior dessa lição de casa, sem dúvida, é do próprio cidadão.