[[legacy_image_137553]] A disparada das infecções pela variante Ômicron nos Estados Unidos e Europa indica que o afrouxamento das medidas sanitárias passou do recomendável. Aparentemente, devido à vacinação, os casos identificados no Hemisfério Norte não estão evoluindo para sintomas graves como em outras etapas da pandemia. Mesmo assim, a disseminação da doença deve levar alguns governos dos países ricos a tomarem medidas ainda mais duras. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O consenso entre os cientistas é de que a continuidade da circulação do vírus propicia mais mutações, sempre com a possibilidade de uma delas se espalhar entre os não vacinados ou mesmo resistir aos imunizantes. Os vulneráveis podem estar concentrados em uma faixa etária, como os mais jovens, região do país (como no Norte do Brasil ou Meio Oeste americano) ou partes extensas do mundo. É o caso da África, com vacinações baixíssimas na maioria dos países mais populosos. O principal recado que vem do Hemisfério Norte é que o recorde de contágios coincide com os dias anteriores ao Natal, quando as confraternizações aumentaram e um grande número de consumidores frequenta os centros comerciais das grandes cidades. Esse risco já estava no radar dos especialistas e mesmo de autoridades do Brasil, que no começo do mês passaram a suspender as festas da virada e até o Carnaval. Na prática, não está proibido festejar e as secretarias de Saúde recomendam não se aglomerar, o que é quase impossível em uma metrópole ou em cidades turísticas no verão brasileiro. No Brasil, ainda não se sabe o que o Ministério da Saúde pretende fazer se a Ômicron se espalhar ao ritmo dos Estados Unidos e Europa. Houve uma discussão interminável sobre o que fazer nos aeroportos e até o momento o que ocorre, segundo relatos de passageiros, é a cobrança aleatória da vacina. Como um caso positivo pode gerar uma explosão de infectados em poucos dias em áreas vulneráveis, esse descuido serve de convite à Ômicron para se espalhar geograficamente pelo País. Há ainda a resistência do governo de aceitar a vacinação das crianças, que é considerada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) essencial para o País atingir os patamares mínimos de proteção coletiva. Enquanto o ministro Marcelo Queiroga posterga a medida por meio de audiência pública para discutir um tema emergencial que já é consenso na sociedade científica, a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, do próprio ministério, quer a vacinação infantil já em janeiro. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já deu aval e a maioria dos estados, inclusive aliados do governo, quer aplicar o imunizante em crianças. No fim das contas, quanto maior for o índice de imunização do País, mais forte será a barreira contra a doença. É uma luta contra o tempo e é isso que as autoridades devem mirar.