O século 19 foi dominado pelos britânicos e o 20 pelos americanos. Depois de três décadas de crescimento elevado, possivelmente agora será a vez dos chineses. Alguns especialistas dizem que não, porque os Estados Unidos ainda ditam o avanço tecnológico e concentram as grandes empresas do momento – Apple, Google e Amazon. Entretanto, o grosso da economia do mundo está se deslocando para a Ásia. E o Brasil precisa estar atento a essa tendência. Basta observar as previsões de crescimento econômico divulgadas na terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na Ásia, há dois eixos de expansão muito forte, a China, na casa dos 6% ao ano e a Índia, por volta de 7%. Esse padrão também é repetido por outros emergentes asiáticos, como a Indonésia. Há ainda o Japão e a Coreia do Sul, esta última agora uma nação desenvolvida e, por isso, movimentando-se a taxas mais modestas. Já o eixo Estados Unidos-Europa é mais lento. Os EUA até que surpreendem e crescem perto de 3% ao ano, o que é muito para uma economia tão grande. Já a Europa está em 1% ou até menos. Destoam positivamente alguns poucos casos, como Irlanda, Polônia e Hungria, cujo baixo custo atrai investimentos do restante da União Europeia (UE). Para o Reino Unido as perspectivas são ruins devido ao divórcio com a UE. Por exemplo, hoje os britânicos têm uma indústria automobilística robusta e boa parte da produção é exportada para a UE com tarifa zero. Com o Reino Unido fora do livre-mercado europeu, esses carros pagarão 10% de taxa. O crescimento asiático é puxado pela China, que pela primeira vez tem mais empresas na lista das 500 maiores da Fortune do que os EUA. O país da Ásia também lançou sua bolsa eletrônica, equivalente à Nasdaq, para impedir que imensas companhias tecnológicas abram capital em Nova Iorque. Não se pode esquecer que Tailândia, Filipinas, Vietnã e até o empobrecido Bangladesh concorrem avidamente com a própria China. Mas a nova estrela asiática é a Índia, a potência que mais cresce no mundo. Com uma incrível mão de obra capacitada em tecnologia e um governo que usa essa sofisticação para incluir no mercado suas centenas de milhões de pobres, o país demanda uma fantástica lista de mercadorias, a começar pela alimentação. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro se alinha com os americanos e dá sinalização adversa à Ásia. A China é hoje o maior cliente dos exportadores brasileiros, mas essa relação é mal vista no Palácio do Planalto por tolices ideológicas. O Brasil precisa não só diversificar as exportações aos chineses, como deve desbravar o gigantesco mercado indiano. Sobram a América Latina e a África, mas estas enfrentam problemas seriíssimos, assim como o próprio Brasil. Não devem ser ignorados, principalmente pela proximidade, mas o País precisa ser pragmático e avançar onde há mais prosperidade.