[[legacy_image_337238]] O distanciamento entre as potências, com a volta de uma forma de guerra fria, e as mudanças climáticas estão por trás de transformações econômicas, o que pode ser uma grande oportunidade para o Brasil atrair muitos investimentos. Na primeira situação, o México é o principal beneficiado com o nearshoring, que é a realocação de fábricas e prestadores de serviços da China para parceiros considerados confiáveis pelos Estados Unidos e Europa. A segunda situação é questão de sobrevivência desta e das próximas gerações, com a transição da matriz petrolífera para fontes limpas. Nesse campo, o Brasil desponta com vantagens por sua dimensão continental, com vários biomas e disponibilidade para avançar simultaneamente com fontes diferentes, como eólica (vento), solar, hídrica, hidrogênio verde e biomassa, além de minérios usados nas baterias dos veículos eletrificados. É uma situação bem diversa de países europeus, que têm muito capital e tecnologia nessa área, mas não essas fontes de forma abundante. O governo brasileiro já começou a oferecer incentivos para atrair capitais não apenas para fontes renováveis, mas também para a indústria, um setor hoje em decadência no País. Entretanto, a ideia da gestão petista é recuperar o terreno perdido por meio da produção interna de equipamentos e máquinas associados à sustentabilidade. Por exemplo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverão estimular a produção nacional de ônibus eletrificados. Trata-se de uma tarefa bem difícil pela demanda – hoje o País tem 107 mil ônibus e apenas 444 eletrificados, conforma a empresa E-bus Radar. A principal dificuldade é o preço atual do veículo limpo, quase o triplo da versão a diesel. Além disso, o parque industrial para esse fim ainda é insuficiente, com quatro montadoras certificadas pelo BNDES. Mas para aumentar essa capacidade produtiva, serão necessários componentes, autopeças, capacitação de mão de obra para manutenção e, principalmente, crédito para as empresas trocarem seus ônibus. Apenas com esse exemplo é possível aquecer um segmento importante da economia e gerar muitos empregos e renda. Porém, a realidade não é simples como rascunhar um plano de desenvolvimento. Por isso, é necessário que o governo desenvolva seus programas, alguns deles já anunciados, de forma mais célere, antes que o País seja inundado de importados de baixo custo. A boa notícia é que há disposição externa para investir nesses projetos sustentáveis, segundo a executiva francesa do BNP Paribas, Florence Pourchet. Ela diz que assim como o México cresce com o nearshoring, o Brasil avançará com o powershoring, que é a instalação de fábricas em regiões com disponibilidade de energia renovável. Mas o governo precisa fazer sua parte, ampliando a oferta de crédito e criando regras que deem segurança a esses investimentos.