[[legacy_image_140240]] O aumento de 318% dos testes positivos de covid no Brasil, na comparação dos dados da quarta-feira com os de duas semanas atrás, obriga os governos a orientarem melhor a sociedade e agirem de forma firme se necessário. O alto poder de disseminação da Ômicron está por trás da disparada de registros, mas esse fenômeno não é uma surpresa – a capacidade da variante já era alertada pelos especialistas e isso ficou comprovado pelos europeus. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O levantamento de infecções mais acentuado dos últimos dias também mostra que as reuniões de fim de ano estimularam a retomada da covid-19. O compromisso individual de tomar cuidados sanitários é fundamental e se deve admitir que houve um afrouxamento generalizado, como se o perigo já tivesse acabado. Mas o problema está de volta e resta às autoridades serem veementes – o uso de máscara, independentemente do local, é mais do que recomendado. É verdade que, desta vez, a população está mais protegida, com a cobertura vacinal completa se aproximando dos 70% no País, mas com a Ômicron indicando alguma capacidade de enganar as vacinas. Porém, os efeitos até o momento são mais brandos, talvez por característica da própria variante, mas também porque a imunização deixa o organismo protegido contra sintomas mais graves. De qualquer forma, a grande escalada de disseminação do vírus é péssima, pois vai acabar atingindo um número de pacientes mais frágeis, que vão lotar hospitais e uma parte deles poderá ter sequelas ou morrer. Não se pode ser insensível com as estatísticas, aceitando determinado montante de vítimas, e a torcida é para salvar todas as vidas possíveis. Preocupa o fato do Ministério da Saúde ter se envolvido em uma discussão dispensável sobre vacinação das crianças, pois sua importância já estava clara e a imunização pediátrica ocorre normalmente nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia – incluindo a Indonésia, emergente como o Brasil. Ao invés de envolver as autoridades federais nesse assunto, o certo seria ter o foco nas medidas possíveis frente ao avanço da Ômicron. Se as barreiras contra a variante não se revelaram suficientes para contê-la, que o alvo se voltasse às melhores medidas já tomadas em atenção aos infectados nos países mais adiantados com o espalhamento da cepa. Fala-se muito que os sintomas são brandos, mas quais são as exceções e os pacientes mais vulneráveis? Todo esse conhecimento precisa ser multiplicado nas redes pública e privada de saúde. E considerando as dimensões continentais do Brasil, essa tarefa leva algum tempo. Há também notícias animadoras, como o caso do brasileiro com doença autoimune que mora em Israel e foi tratado com Paxlovid. Trata-se de uma pílula da Pfizer que atua como inibidora de uma enzima que o novo coronavírus precisa para se reproduzir. É uma resposta da ciência e é isso que precisa ser valorizado e replicado. E não discussões estéreis, sem utilidade em um momento tão grave.