[[legacy_image_236260]] A posse do embaixador Mauro Vieira como ministro das Relações Exteriores significa um esforço do novo governo para reinserir o Brasil nas relações internacionais. Ele já ocupou a pasta na gestão de Dilma Rousseff e seu discurso indica que tem sintonia com o que o PT busca nessa área. A meta é ter uma presença mais ostensiva em organismos como as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio (OMC) e nos blocos multilaterais, além de dar prioridade às nações em desenvolvimento. Para o empresariado e diplomatas pragmáticos, o mais prático seria centrar foco nas economias ricas e nos emergentes importadores por uma política de resultados de rápido crescimento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A rápida reativação do Fundo da Amazônia, que tem recursos de países europeus, e o discurso alemão de que o combate ao desmatamento é a chave para ampliar as relações com o Brasil mostram como a sustentabilidade e o meio ambiente ganharam relevância nas relações internacionais. Desde a campanha eleitoral até estes primeiros dias da posse, autoridades do novo governo indicam que vão fazer um esforço para explorar energias renováveis, preservar os biomas, apoiar o agronegócio que não desmata e estimular a economia sustentável como sustento das comunidades das florestas. Por enquanto, não passam de boas intenções, sem algum programa delineado. É importante que o novo governo arregace as mangas nesse sentido, pois há uma incrível pressão nos parlamentos americano e europeus para vetar a importação de produtos associados ao desmatamento. Há um sério risco desse movimento ser contaminado pelo protecionismo. A força com que o Brasil avançou com a soja, a liderança antiga com o café e a exportação cada vez maior de proteína animal assustam os pequenos produtores de economias ricas. O melhor caminho para isso é retomar uma diplomacia comercial bem ativa, que costumava ser uma habilidade do Brasil, mas que, se mal calibrada, perde força quando governos extremistas, como o do então presidente Donald Trump, agem para apagar a atividade de organismos como a OMC. Para uma grande economia, é muito mais fácil negociar diretamente com um país mais fraco, fora da OMC. Essa organização também parece sofrer com a nova ordem mundial, na qual a globalização cede espaço a blocos de países que tenham geopolítica em comum, como o Ocidente e Japão se opondo a uma aliança Rússia-China. Espera-se que o novo governo, no âmbito diplomático, esteja antenado com as mudanças recentes das relações internacionais. Nesta semana, ficou claro que a gestão de Lula vai repetir a receita anterior de ter paralelamente a um ministro das Relações Exteriores um assessor especial para esse tema junto ao presidente, função que antes foi exercida por Marco Aurélio Garcia e agora vai ficar com Celso Amorim. A dúvida é se, na volta de Lula ao poder, o Itamaraty e Amorim atuarão em sintonia.