[[legacy_image_337715]] A invasão covarde da Ucrânia pela Rússia completou dois anos ontem e, com a guerra, o mundo mudou tanto no aspecto militar e do risco de um conflito nuclear quanto na economia. As sanções a Moscou tiveram grande impacto na inflação mundial, que já estava em curso desde a pandemia. Além disso, houve uma nova ordem econômica, do nearshoring, que consiste em transferir fábricas para parceiros considerados seguros, frente a eventuais bloqueios militares ou mesmo de restrições comerciais (os EUA veem o México como parceiro seguro, enquanto Taiwan não, pois pode ser atacada). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Entretanto, o grande trauma com a guerra da Ucrânia é o da perda de vidas. Os números são pouco confiáveis, pois essa informação também faz parte da estratégia dos dois lados, incluindo a pressão psicológica. Em agosto passado, o The New York Times, baseado em fontes do governo americano, estimou que 120 mil soldados russos e 70 mil ucranianos morreram. Mas não se sabe quais foram as perdas de civis na parte da Ucrânia controlada pela Rússia, onde os embates há meses são intensos e entrincheirados. O mesmo vale para o restante do país. Por exemplo, o cerco a Mariupol, na costa do Mar de Azov (que dá acesso ao Mar Negro), pode ter resultado na morte de 25 mil habitantes. A estratégia russa é sufocar a Ucrânia, abalando o apoio da população ao governo de Kiev e forçando uma rendição, mesmo que isso não signifique um controle nos moldes que o Kremlin desejava no início. A Ucrânia resiste, mas depende da ajuda financeira e militar da Organização Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar do Ocidente. Mas Kiev precisa rapidamente de mais munição, armas pesadas e tecnologia para barrar drones russos e qualquer novidade em tempos de inteligência artificial. A Europa Ocidental, na prática, vê a Ucrânia, como escudo, pois teme o avanço de Moscou no médio e curto prazos, segundo declarações públicas dos governos alemão, sueco e dos países bálticos – Estônia, Lituânia e Letônia. Esses três foram os primeiros a abandonar a União Soviética, e são considerados traidores por Vladimir Putin. Apesar dos riscos militares, analistas apontam como vantajoso para os EUA uma guerra prolongada como forma de exaurir a Rússia, que tem se sustentado com seu petróleo e gás, mantendo muitos negócios com a China, Índia e até o Brasil, importador de diesel. Putin errou com essa guerra, pois ele pretendia barrar o avanço da Otan e da União Europeia sobre antigos satélites soviéticos. Por outro lado, o isolamento da Rússia parece ter fortalecido Putin internamente, e seus adversários políticos e oligarcas críticos praticamente desapareceram. Mas de tempos em tempos surgem reportagens questionando sua imagem externa de todo poderoso. No fim das contas, o grande perdedor é o povo ucraniano, que além dos prejuízos materiais e das mortes, não sabe qual será o destino de sua nação.