[[legacy_image_336256]] O temporal que deixou 64 mortos em São Sebastião e um em Ubatuba, além de dezenas de desalojados, completa, nesta segunda-feira (19), um ano. Parte das famílias que moravam em áreas de risco foi transferida, temporariamente, para um condomínio cedido pelo Governo do Estado, mas muitas não aceitaram a mudança por razões variadas, entre elas, porque mantêm pequenos comércios na região mais atingida de São Sebastião, a Vila Sahy, e suas redondezas, e porque têm outros familiares vivendo no Litoral Norte, uma condição que torna mais difícil e custosa a mobilidade. Nesta segunda, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) estará em São Sebastião para entregar 500 unidades habitacionais na Baleia Verde aos moradores que aceitaram sair das áreas de risco. Segundo a Prefeitura local, o município está prestes a completar metade das entregas prometidas para zerar seu déficit habitacional, que há um ano era de 1.300 moradias. As chuvas intensas que vêm ocorrendo em todo o Litoral de forma alternada com os períodos de calor são efeito direto do fenômeno El Niño, segundo especialistas, potencializadas pelas mudanças climáticas. Essa relação parece já ser melhor compreendida não só pelas autoridades e pelo Poder Público, mas também pela população. A essa percepção de que o clima vem sendo fortemente impactado pela maior ou menor emissão de gases de efeito estufa é preciso associar um conjunto de medidas e ações preventivas, e essa é a parte que toca nos episódios como o verificado há um ano nas cidades paulistas. Duas ações, em especial, merecem destaque. A primeira, mais óbvia e direta, é a aceleração dos projetos habitacionais e consequente transferência de famílias que vivem em áreas de risco. A segunda é fruto do entendimento de que a própria natureza pode colaborar na prevenção de tragédias semelhantes. Um projeto de restauração está usando drones para semear cerca de 20 espécies nativas nos locais onde a vegetação foi arrancada pelas chuvas de fevereiro de 2023. Já foi concluída a semeadura em 9,57 hectares de mata de 29 deslizamentos na Barra do Sahy, Baleia e As Ilhas. O objetivo do programa é restaurar em três anos 851 cicatrizes na Serra do Mar abertas pelas chuvas de 2023. Importante destacar que a proposta não é novidade, já tendo sido utilizada, com sucesso, no início dos anos 90, para restaurar a vegetação na Serra do Mar em Cubatão, quando as feridas se alastravam em decorrência da poluição provocada pela poluição industrial em uma época de descontrole dos mecanismos de filtragem e monitoramento. A esse conjunto de ações deve ser somada a necessária fiscalização para que novas áreas de risco não sejam ocupadas, o que representa sempre o risco de inviabilizar uma solução permanente e definitiva. Baixada Santista e Litoral Norte são as áreas mais afetadas pelos eventos extremos da natureza. Atenuá-los, neste caso, é tarefa dos governos, em todas as suas instâncias.