[[legacy_image_49650]] A revisão para cima da previsão dos bancos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é um alento, em meio a tantas notícias desanimadoras. Desde que o IBC-Br, a prévia do Banco Central para o PIB, surpreendeu por indicar crescimento no primeiro trimestre (2,3% sobre outubro a dezembro e 2,27% sobre janeiro a março de 2020), as instituições financeiras passaram a melhorar suas previsões do PIB para este ano de 4% ou até 5%. O índice oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o primeiro trimestre sai na próxima terça-feira. Caso essa tendência se confirme, o avanço servirá como uma espécie de empurrão da atividade econômica para o restante do ano. Índices positivos ou em ascensão têm forte peso psicológico sobre a confiança para investir ou consumir. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Essas expectativas ainda não corroboradas pelo índice oficial do IBGE ganham importância para diminuir o impacto deste segundo trimestre sobre o restante do ano. Como a covid-19 teve efeitos devastadores no mês passado e deve causar estragos em junho, os dados econômicos desse período serão prejudicados. Porém, o crescimento econômico já estará semeado e ganhará tração no terceiro trimestre com notícias positivas da vacinação. No caso de São Paulo, a faixa dos 40-50 anos, a que mais sofre baixas pela covid-19 ultimamente, começará a ser imunizada, segundo o Governo do Estado. Já o momento econômico externo é altamente favorável ao Brasil. A injeção de capitais pelos governos nos países ricos, em especial Estados Unidos e China, gerou uma grande demanda por commodities minerais e alimentícias, pressionando cotações (mas estimulam a inflação no Brasil), gerando ganhos elevados ao exportador brasileiro devido ao dólar valorizado. Prova disso, segundo outro índice, o boletim do BC para a atividade econômica por regiões, o Sul e Centro-Oeste se sobressaíram no primeiro trimestre. Houve ingresso das rendas com os exportados, como soja e carnes, nos mercados locais, cujos recursos geraram consumo de serviços. Já o Norte, colapsado pela covid-19 em janeiro, foi a única região que decaiu. Outro fator importante é a tendência de saques da caderneta de poupança. Se por um lado esses recursos, que foram acumulados por precaução ou por falta de oportunidade para gastá-los no ano passado, passaram a irrigar o consumo, por outro podem estar sendo usados para cobrir dificuldades com o desemprego. A partir daí entra o principal fator de preocupação contra a recuperação econômica – a falta de trabalho. O IBGE divulgou, na quinta-feira, que o País já tem 14,8 milhões de desempregados, um recorde da série histórica iniciada em 2012. Por isso, o governo precisa manter ativado seu arsenal de medidas, como auxílio emergencial e redução de jornada e salários. O objetivo é manter o fôlego para garantir passos mais largos a partir de julho.