[[legacy_image_237502]] O Brasil escreveu, neste domingo(8), mais um capítulo triste e lamentável sobre a história recente de sua democracia, aliás, o anti-capítulo, aquele que será apresentado às futuras gerações como a manifestação mais clara e transparente de como não se comportar em um país regido pela democracia, que respeita a ordem, a Constituição e o resultado livre das urnas.O que se viu em Brasília, reproduzido por todos os veículos de comunicação do País e com repercussões internacionais, foi a versão brasileira do que ocorreu há exatos dois anos nos Estados Unidos, quando extremistas, apoiadores do presidente Donald Trump, invadiram e destruíram o Capitólio, centro do governo americano. No Brasil, não foi apenas a sede do Executivo o alvo dos vândalos, mas também o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. A simbologia está mais do que clara. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Há muitas considerações a serem feitas sobre o dia 8 de janeiro de 2023, e certamente as cenas exibidas à exaustão durante toda a tarde de domingo vão suscitar análises, debates e interpretações, mas o que deve estar no foco é o que será o Brasil a partir deste momento. Que houve inação das polícias do Distrito Federal não há dúvida, assim como é certa a participação ou estímulo de lideranças partidárias ou que compuseram o governo anterior. Sobre isso, há muitas perguntas a serem respondidas: quem financiou esses grupos? De onde partiu a voz de comando? Quem fez o itinerário e a agenda da selvageria? Que outras agendas estão planejadas e em quais lugares? Prender 170 pessoas pode parecer muito, mas todas que forem identificadas nas imagens devem ser acionadas e investigadas. Mais que isso: o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que ontem se apressou em gravar vídeo pedindo desculpas pelo ocorrido, deve ser responsabilizado, pessoal e politicamente, visto que um movimento nesse sentido já vinha sendo fartamente cogitado desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vencidas as tarefas concretas, ato contínuo é prever o que será o País a partir de agora, e como atos assim serão tratados pela legislação, pela Justiça, pelos parlamentares e, acima de tudo, pela sociedade. O resultado apertado das urnas deixou claro que Lula está distante da unanimidade plena mas, da assertividade de seu governo depende o sucesso da economia, o bom ambiente para negócios, a geração de empregos e a atração do Brasil a novos investimentos. Esse é o ponto comum - ou deveria ser - de todos os 200 milhões de brasileiros. Tratar episódios como o de ontem como algo isolado e apenas livre manifestação popular coloca o Brasil em um caminho perigoso de instabilidade institucional, ponto de partida para a barbárie, a violência, o enfrentamento permanente às forças constituídas e, mais que isso, risco de guerra civil generalizada. Que os patrocinadores do 8 de janeiro de 2023 sejam responsabilizados e punidos severamente, sob pena de vermos destruído todo o esforço que se teve até aqui para consolidar a jovem democracia brasileira.