[[legacy_image_212397]] A política é dada a surpresas, seja com resultados nas urnas, personagens eleitos ou composições que poderão surgir, unindo figuras que se pensava irreconciliáveis. Entretanto, o que está certo para a próxima legislatura é de que o Centrão, de perfil conservador nos costumes e liberal na economia, vai estar mais forte do que é hoje. As apurações indicam que essa coalizão somou 240 deputados federais. É possível que o Centrão amplie seu contingente para 300 cadeiras se o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), conseguir costurar uma fusão de seu partido com o União Brasil, uma solução dos atuais governistas caso se tornem oposição, se Lula for eleito. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aos poucos, o Centrão conseguiu assumir um pedaço do orçamento por meio de emendas sem transparência, uma forma de enviar recursos para seus redutos eleitorais e passar quatro anos cativando seu eleitorado – um sistema imperfeito, pois não resolve o problema do brasileiro que vive em regiões sem representante com cargo eletivo. O brilho do Centrão equivale a um enfraquecimento do Executivo, que precisa definir as prioridades que serão abastecidas com verba pública e está limitado para isso. A máquina federal é eficiente em arrecadar uma montanha de impostos, que muitas vezes não resulta em serviços com a qualidade que a população espera, o que motiva parte da irritação dos brasileiros com os políticos (a outra tem a ver com privilégios e corrupção). Mesmo com esse gigantismo, o Estado não consegue fazer investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Há despesas com uma Previdência deficitária, precatórios (dívidas públicas com sentença de pagamento) bilionários e salários do funcionalismo que consomem um bom pedaço do Orçamento. Segundo analistas, o atual Congresso (e provavelmente o da próxima legislatura) é muito ativo e coeso em suas decisões. São inúmeras as propostas e marcos legais enviados pelo Governo que saíram transformados no fim das votações, como no caso das reformas da Previdência e tributária (que não saiu do papel) ou do projeto que viabilizou a privatização da Eletrobrás. Os parlamentares estão para mudar o que for necessário, mas a autonomia com que modificam as propostas surpreende os especialistas. O eleitorado diversificou o perfil profissional dos parlamentares da próxima legislatura, sejam do Centrão ou não. Além de políticos profissionais e caciques regionais ou seus herdeiros, há mais artistas, atletas, defensores de animais, youtubers, influenciadores e muitos profissionais de segurança, religiosos, representantes indígenas e outros cidadãos influentes em suas comunidades – fazendeiros, advogados e médicos, entre outros. Essa variedade já surgiu na eleição passada e, agora, com a repetição da receita, a população dá seu recado, que ainda precisa ser melhor compreendido. A insatisfação com resultados deve ser a raiz da tendência. Se as escolhas foram apropriadas, apenas o tempo vai apontar.