[[legacy_image_129674]] A ocupação de trecho do Rio Madeira por centenas de balsas de garimpeiros e a Operação Uiara, realizada pela Polícia Federal e Ibama para dispersá-los, revelam uma realidade desconhecida pelos brasileiros e uma rápida ocupação de uma região antes apenas utilizada como subsistência por alguns milhares de ribeirinhos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O caso também serve de exemplo da falta de cuidado dos governos de proteger a mata contra a destruição e ainda a disposição de muitos brasileiros, sem perspectivas em suas cidades de origem, de se aventurarem pelo País - inclusive realizando tarefas ilegais e integrando uma cadeia de exploração econômica e à margem do poder estatal. No final das contas, estão naquele trecho confrontados temas do meio ambiente e uma população que não é alcançada pelos serviços do Estado. O Rio Madeira tem 3,5 mil Km de extensão, o que equivale a 3,5 vezes a distância entre Santos e Brasília. Uma das cidades daquela região, Autazes, tem 7,6 mil Km2, maior que o Distrito Federal, e também é banhada pelo Amazonas, enquanto Humaitá, na outra ponta do Madeira no estado, perto de Rondônia, está a 614 Km, quase o equivalente ao trajeto Santos-Belo Horizonte. São poucas as localidades entre os dois municípios amazonenses, indicando a dificuldade para fiscalizar aquela região tão extensa, dominada pela mata e cortada por um rio colossal e dos mais extensos do mundo. Entretanto, o boato de que o fundo do Madeira tem ouro e que em uma hora é possível sugar de seu fundo uma grama em pó (peso equivalente a R\$ 322 na bolsa) gerou uma nova corrida de garimpeiros, que agora chegam com suas famílias para dar conta da tarefa que depende de várias pessoas, conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo - alguém fica na balsa, outro manobra a draga e alguém tem que conectá-la ao fundo para aspirar a areia talvez com ouro. Entretanto, falta fechar alguns pontos dessa aventura, como identificar quem financia as embarcações e equipamentos e como esse ouro chega ao mercado. Para entender a dimensão que o garimpo tomou na floresta, os políticos das cidades da região receberam garimpeiros assustados com a Operação Uiara e a possibilidade de também perderem seus instrumentos. Segundo reportagens, um prefeito prometeu ressarci-los e outro disse que deputados do Amazonas agiriam para suspender a operação, indicativos de que o garimpo já rende muitos votos. As autoridades federais explicaram que a destruição do maquinário e balsas é necessária para impedir o reúso. Porém, é esperado que tudo recomece assim que as forças policiais forem chamadas de volta, tão extensa é aquela região e a complexidade para fiscalizá-la. De concreto, devem continuar a ocupação da mata e a poluição ambiental(o mercúrio é usado na separação do ouro dos sedimentos do rio), assim como a condições precárias de milhares de brasileiros na mata e sob inúmeros riscos na exploração mineral.