[[legacy_image_131349]] As redes sociais estão repletas de ‘formadores de opinião’, pessoas que, tão logo sejam submetidas a um tema, logo se arvoram a correr para as redes emitir pontos de vista, criticar governos, empresas, grupos, entidades e por aí vai. Não tem sido diferente na pandemia. Aliás, a pandemia fez surgir uma legião de conselheiros para dar palpites sobre tudo: do uso de máscara à definição sobre abertura dos comércios e retomada da economia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na semana que passou não foi diferente. Transitam pela rede temas relacionados à pandemia que dividem opiniões. Realizar o Carnaval ou apenas permitir os blocos de rua? Organizar a queima de fogos nas praias? Liberar o uso de máscaras em locais abertos? Retomar as aulas presenciais nas universidades públicas em 22? Especificamente sobre o uso ou não de máscaras em locais abertos, já havia sido anunciada, pelo Governo do Estado, a liberação a partir do próximo sábado, mas na última quinta-feira houve uma revisão dessa decisão muito em função do surgimento da nova variante do vírus, a Ômicron, proveniente de países africanos. Cidades que haviam liberado o Réveillon começam a voltar atrás, como São Paulo e outras 16 capitais brasileiras, decisões tomadas também a partir do avanço da nova variante. É legítimo que empresas, empresários e todo o trade que vive dessas festividades fiquem contrariados, já que há meses aguardam por momentos assim para recuperarem parte das perdas desses 21 meses de pandemia. Mas o momento exige cautela, compreensão e um tanto de empatia. Apesar de todos os reveses, o Brasil vive um dos melhores momentos do quadro vacinal. Hoje, cerca de 75% da população brasileira, ou 160 milhões de pessoas, já receberam ao menos a primeira dose da vacina, e 64% estão totalmente imunizados, índices muito acima da média global (42%) e de muitos países do primeiro mundo, como Estados Unidos (60%). A performance é resultado de um plano nacional de imunização muito eficiente e que veio sendo aperfeiçoado ao longo dos anos. A questão é que o vírus SarsCov-19 não está totalmente estudado, e a cada nova variante um leque considerável de possibilidades se abre, fazendo com que governos e autoridades sanitárias revejam seus planos. A fase de considerar que a vacinação completa dará conta de todas as novidades que surgirem ainda não chegou, mas a notícia boa é que as vacinas atualmente aplicadas têm dado conta de atenuar os efeitos das novas variantes na grande maioria dos casos de contaminação. Anunciar medidas de mais flexibilização e retroceder diante de fatos novos serão ainda a tônica de governos estaduais e municipais por um bom tempo, e não são sinais de fragilidade ou titubeios. O Brasil soma quase 620 mil mortos pela covid-19. Esses números e as cenas tristes desses dois anos ainda estão frescas na memória de todos. Um pouco mais de paciência fará com que o tempo apague essas lembranças e dê fôlego à Ciência para garantir que elas não mais retornem.