[[legacy_image_179448]] A truculência policial, gravada em vídeo e exposta nas redes sociais, contra Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, precisa de uma apuração rigorosa. Na prática, ele passou por uma sessão de tortura. Trancado no porta-malas de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Umbaúba (SE), ele inalou gás lacrimogêneo e morreu por asfixia mecânica, quando o ar é impedido de chegar aos pulmões. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Questionada, a PRF deu resposta desastrosas – disse que o caso foi uma “fatalidade” –, afirmando ainda que Genivaldo resistiu “ativamente” à abordagem e que foram empregadas “técnicas de imobilização em instrumentos de menor potencial ofensivo” em razão da “agressividade” dele. Mas testemunhas dizem que Genivaldo, que estava de motocicleta, obedeceu à ordem de parada, pôs as mãos sobre a cabeça e foi revistado. Ainda conforme as redes sociais e reportagens do Estadão e portal UOL, a reação veio quando os policiais questionaram as cartelas de comprimidos no bolso. Em seguida, houve uso de spray de pimenta e um agente colocou o joelho sobre o pescoço de Genivaldo, sendo depois jogado no porta-malas, que foi chamado de câmara de gás nos comentários nas redes sociais. Após a repercussão do caso, a PRF afastou os agentes e o Ministério Público Federal deu 48 horas para a corporação detalhar a abordagem. Solicitou, ainda, que a Polícia Federal abra inquérito. A abordagem, entretanto, conforme o vídeo e o relato das testemunhas, aponta para abusos e conduta excessiva, lembrando que os policiais precisam seguir um protocolo, e, no mínimo, faltou treinamento para agir em situações específicas. Um sobrinho de Genivaldo disse que o tio é esquizofrênico e os policiais foram alertados sobre isso. Com quase dois metros de altura, Genivaldo ficou com os pés para fora da viatura. Segundo testemunhas, também sofreu pisões antes de ser detido e a porta foi prensada sobre a parte inferior das pernas. Segundo o sobrinho, os parentes tentaram socorrer Genivaldo, mas um dos agentes teria dito que ele estava “melhor do que a gente aí dentro (no porta-malas)”. Um policial teria afirmado ainda que a categoria já “perdeu dois irmãos de farda. Vamos perder mais um agora?” No Ceará, recentemente dois agentes morreram na abordagem a um homem. Esse caso também foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ao ser indagado sobre a morte de Genivaldo: “vou me inteirar com a PRF”. Genivaldo era conhecido em Umbaúba e sua morte gerou comoção e protestos. Aposentado por transtornos mentais, ele era casado, tinha um filho e vendia rifas e Loteria Federal para melhorar a renda da família. O caso chamou a atenção dos estudiosos de segurança pública por ter ocorrido logo após a operação policial no Rio de Janeiro, com o número revisado de 23 mortos e o uso da força muito questionado. A criminalidade deve ser enfrentada de frente, mas as autoridades têm que agir dentro da lei.