[[legacy_image_218310]] A criação pela Prefeitura de Santos de um grupo de trabalho para discutir mudanças no transporte coletivo de passageiros é muito bem-vinda. Também é acertada a decisão de revisar a mobilidade na Cidade, o que deve definir prioridades e melhorias para o uso de veículos particulares, reformulação das vias públicas e o estímulo ao deslocamento a pé. Ou até a possibilidade de revitalização de áreas do Município em consequência de um fluxo mais constante de pedestres ou a atração de moradores ou comércios devido a uma disponibilidade de ônibus ou estacionamentos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, o grupo de estudo terá outra missão importante, que é a integração mais eficaz dos ônibus do transporte coletivo com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o que resultaria em muita praticidade e economia aos passageiros. Hoje, das 41 linhas de ônibus de Santos, dez estão associadas ao VLT. A expectativa de muitos anos é de que todo o sistema público possa ser utilizado com apenas uma passagem, como é muito comum na Capital. Promessa de campanha do atual prefeito, esse plano poderia incluir a integração do serviço de autolotação (vans), que liga os morros ao Centro, o que, se for confirmado, vai beneficiar muitas famílias de baixa renda, barateando o uso dos ônibus. Deve-se lembrar ainda que, quanto mais rápida, pontual e extensa for a rede pública, mais moradores irão utilizá-la, o que significa reduzir congestionamentos, a poluição e os custos para estudantes, prestadores de serviços e tantos outros profissionais. No próximo semestre, as obras da segunda etapa do VLT deverão estar concluídas, interligando a Esplanada dos Barreiros, em São Vicente, ao Centro de Santos, a partir da estação Conselheiros Nébias (na Avenida Francisco Glicério), exigindo um profundo planejamento do tráfego nas vias de alguma forma atingidas pelo novo sistema. Trata-se de um salto de qualidade e conforto muito grande, que já pode ser sentido na linha em operação. Porém, é fundamental que o VLT seja expandido para, com um número cada vez maior de passageiros, ocorra a viabilidade para novas linhas para Santos e São Vicente. Espera-se que esse grupo de trabalho seja bem assertivo e que não tenha prazo muito longo para concluir seus estudos, até para que o planejamento resultante possa sair do papel. Já se viu muitos projetos serem engavetados na transição de um governo para outro ou enterrados por falta de verbas. É importante considerar ainda que o transporte público passa por uma fase de transição sob impacto das novas tecnologias. A conectividade permite ao passageiro planejar seus horários conforme a disponibilidade do sistema público e há uma concorrência com os serviços por aplicativo que voltarão a crescer se houver uma recuperação do poder aquisitivo da população. Normas ambientais e a disseminação de veículos elétricos também prometem uma safra de muitas mudanças nos próximos anos.