Divulgados os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua sobre o desemprego no País em 2019, é possível traçar o quadro da desocupação nos últimos anos e avaliar como tem se dado a recuperação do nível de emprego. Em 2011 e 2013, a economia crescia ainda a taxas de 4% e 3% ao ano, e a taxa de desemprego foi de 7,1% em 2013 e 6,8% em 2014. Iniciada a recessão no final de 2014 (apesar dela, o PIB cresceu 0,5% neste ano), os efeitos no mercado de trabalho começaram a ser notados. Em 2015, a taxa de desocupação passou a 8,5%, e foi crescendo de modo acentuado nos dois anos seguintes, chegando ao recorde de 12,7% em 2017. De lá para cá, a recuperação vem acontecendo, mas em ritmo muito lento: o índice caiu par 12,3% em 2018 e agora fechou 2019 com 11,9%. Quando se considera o último trimestre do ano passado, o resultado é melhor: a taxa de desemprego ficou em 11%, recuando tanto em relação ao trimestre anterior quanto a igual período de 2018. Foi o menor índice trimestral terminado em dezembro desde 2015, quando atingiu 8,9%. Os números são positivos, mas não se pode perder de vista que, em 2019, 12,6 milhões de pessoas, em média, estavam sem emprego, um recuo de apenas 1,7% comparado com o ano anterior. Nota-se, portanto, a profundidade e intensidade da crise recente: ela logo provocou efeitos negativos a partir de 2015, que chegaram ao topo em 2017 (quando o PIB nacional já cresceu 1,1%), e não permitiu, até agora, a retomada mais significativa dos postos de trabalho no País. As consequências são devastadoras para enorme contingente de pessoas que, privadas de emprego, acabaram obrigadas a sobreviver de bicos, empregos temporários e auxílio de parentes e amigos. O trabalho informal vem crescendo de modo acentuado, e 11,9 milhões de pessoas eram empregados sem carteira assinada no último trimestre de 2019. Somando ainda os trabalhadores por conta própria sem CNPJ, os trabalhadores domésticos sem carteira e aqueles no setor público também sem carteira, o número chega a 38,4 milhões de pessoas, equivalente a 41,1% da população ocupada. A informalidade deve ser considerada como grave problema no mercado de trabalho. As pessoas nessas condições recebem salários menores, não têm direito a benefícios como 13º salário, férias ou FGTS, e a Previdência Social também é afetada, uma vez que não há arrecadação sobre os rendimentos desses trabalhadores. Espera-se que em 2020 o ritmo de criação de empregos se intensifique. Em 2019, houve expansão dos postos de trabalho formais (em dezembro, o número de trabalhadores com carteira registrou 33,7 milhões, 1,8% a mais do que no trimestre anterior), mas isso ainda é pouco quando se considera que, em cinco anos (2014-2019) praticamente dobrou a população sem trabalho no Brasil.