[[legacy_image_263616]] O Dia do Trabalhador, comemorado hoje, é sempre um bom momento para refletir sobre o que se deve esperar dos próximos anos, tendo como desenho o que vem ocorrendo nos últimos tempos. Essa análise deve estar, necessariamente, sustentada por fatos e dados, cenários atuais e junção de acontecimentos que, isolados, podem parecer apenas episódicos, mas contextualizados fazem todo o sentido sobre o que esperar do futuro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Importante destacar que o trabalho vem passando por mudanças sob três aspectos, ao menos: sua natureza, quem o desenvolve e como ele é executado para virar um produto ou serviço. Se a Revolução Industrial representou um período disruptivo na forma como se desenvolviam as tarefas e o tipo de produto que passou a sair das fábricas, o fator preponderante, hoje, é a tecnologia, com uso de dados cada vez mais precisos para mapear consumidores, evitar desperdício e calcular as formas mais eficientes de distribuição. Aplicativos como o ChatGPT, nomeado como vilão na execução de tarefas intelectuais e científicas, serão cada vez mais usuais na dinâmica das empresas, pouco interessadas na supressão de empregos formais que advirão desse processo. À medida que as maquinas e softwares assumem tarefas mecânicas e o trabalho das pessoas se torna mais analítico, RHs das empresas passam a selecionar profissionais que tenham habilidades diferenciadas, como criar novos produtos e formas de interação a partir dessas ferramentas, ouvir o público consumidor e as equipes para extrair o melhor de cada um e afinar os produtos e serviços com menos custo e mais assertividade. Esse não é um cenário futuro, mas já presente nas cidades e no cotidiano dos consumidores, até mesmo nos locais onde jamais se imaginou a presença humana ser substituída por uma tela, como no caixa dos supermercados, agora com autoatendimento, e nos espaços de cultura, com inteligência artificial que convida o público para os espetáculos, e hologramas que respondem a quaisquer perguntas do público. Desse cenário, algumas reflexões são inevitáveis, e a primeira delas está na formação de jovens profissionais pelas escolas básicas, técnicas e universidades. A "conversa" com o mercado de trabalho deve ser constante por parte das universidades e escolas profissionalizantes, em sintonia não com o que está acontecendo, mas o que está por vir. É provável que não haja emprego ou ocupação para todos em uma ou duas décadas, e essa é uma perspectiva real com a qual os governos também devem trabalhar, o que induz a pensar que benefícios sociais se tornem permanentes e a um contingente cada vez maior. Embora pareça desolador imaginar um cenário assim, vale resgatar novamente a história e entender que nos anos pós-Revolução Industrial não foi diferente. Planejar o que está por vir pode traçar melhores cenários do que foi aquele que o mundo viveu na segunda metade do século 18.