[[legacy_image_250696]] A última quarta-feira foi emblemática para a Petrobras e a política de combustíveis do Governo Lula. Se por um lado a estatal divulgou o balanço do ano passado com lucro histórico de R\$ 188,3 bilhões, 76% superior ao de 2021, por outro o dia 1ºfoi marcado por uma virada de chave na gestão de preços da petrolífera e na tributação. Por fim, a empresa levou uma bronca da ala política do governo por seus resultados excepcionais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que os dividendos da companhia são “indecentes”. A Petrobras, agora sob gestão do petista Jean Paul Prates, para não assustar o mercado, decidiu manter o padrão de distribuição da remuneração do ano passado, o que elevou para R\$ 215,7 bilhões o total de dividendos de 2022 – o equivalente a três vezes o orçamento anual do Bolsa Família. Falta pagar apenas a parte do último trimestre de 2022, de R\$ 35 bilhões, o que vai acontecer em maio e julho. Apesar das críticas, o grande favorecido é o próprio governo, pois a União, por deter 36,6% da petroleira, somou R\$ 78,9 bilhões a mais em seu caixa – um ano de Bolsa Família. O mais curioso é que Gleisi e os petistas que atacaram a empresa não destoaram em muito do que foi feito pelo entorno político do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022, conforme a eleição se aproximava e, antes do corte dos impostos, os preços dos combustíveis assustavam a classe média. O Governo Lula, que concluiu que não pode abrir mão dos tributos federais sobre esses produtos em nome do equilíbrio fiscal e dos programas prometidos na campanha eleitoral, foi todo cuidadoso para evitar aquecer a inflação e não perder popularidade. No fim das contas, a equipe econômica recompôs parte da tributação federal, atenuada pelo corte de preço pela empresa. Na ponta do lápis do ministro Fernando Haddad, o litro da gasolina subiu R\$ 0,34 nas refinarias, enquanto o setor privado calcula uma alta nas bombas de R\$ 0,25. O desfecho não foi dramático para a estatal porque a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) já dizia que a Petrobras tinha margem para a redução. Porém, ficou para o mercado a imagem da decisão política, de cima para baixo, para baratear a gasolina, gerando desconfiança do que ainda poderá ser feito. Os resultados excepcionais da estatal vêm de uma reestruturação dura de venda de ativos, como subsidiárias ou campos de menor produção ou menos lucrativos, para se concentrar na exploração do riquíssimo pré-sal e em preços conforme o mercado internacional, ainda que com alguma defasagem. Entretanto, isso foi feito num período de alta do barril, acima de US\$ 100 (pico de US\$ 127 em 8 de março de 2022) devido à guerra da Ucrânia e às sanções contra a Rússia. Agora, a cotação está ao redor de US\$ 80. O padrão de faturamento da petrolífera ficará menor, sem considerar eventuais impactos das mudanças que Prates deverá tomar.