[[legacy_image_59866]] Há duas maneiras de interpretar os dados trazidos ontem por A Tribuna, sobre o crescimento da população idosa nos próximos 30 anos: como um envelhecimento prejudicial à Baixada Santista, na medida em que a presença de jovens será menor; e como uma oportunidade para tornar a região ainda mais atraente a essa faixa etária. Os dados apontados na reportagem são da Fundação Seade, e evidenciam uma realidade que, empiricamente, já se percebe. Hoje, a população dos noves municípios da Baixada Santista é de 1.831.884 pessoas, das quais 296.765 maiores de 60 anos, ou 16,2%. Pelas projeções da Fundação Seade, em 2050 serão 2.035.090 homens e mulheres, sendo 27,3% acima de 60 anos, ou 555.579 pessoas. Em números absolutos, a população idosa crescerá 87% em 30 anos. Em contrapartida, jovens entre 20 e 34 anos representam hoje 35% da população, ou 641.159 pessoas. Em 2050, essa mesma faixa etária ocupará 18,5% do total de habitantes, ou 376.491 homens e mulheres. Ao contrário da faixa etária mais velha, os jovens estarão 41,2% em menor quantidade daqui três décadas. Há preocupação legítima menos com o crescimento da população idosa, e mais com o decréscimo das faixas etárias mais novas. A interpretação natural é que faltará mão de obra jovem para as atividades econômicas ou, ainda, que setores da economia hoje fortes, como escolas e universidades, tenderão a decrescer. É fato. Por outro lado, abre-se um leque de boas oportunidades para que novas atividades e outros setores econômicos cresçam, como serviços especializados de saúde, esportivos, vestuário, entretenimento e mesmo educacional, já que hoje muitas pessoas acima dos 55 ou 60 anos continuam a estudar e se manter atualizadas. Os dados são ainda mais representativos para que prefeituras pensem e comecem a executar políticas públicas voltadas a esse público, em especial no quesito saúde. Cidades acolhedoras para idosos e idosas são também aquelas que pensam seus espaços, mobilidade e equipamentos públicos voltados ao bem estar e qualidade de vida. Santos e Praia Grande, em especial, já são consideradas cidades com bons quesitos para os idosos: cidades planas, boa oferta de transporte público, manutenção de centros públicos de convivência para essa faixa etária. Mas ainda há muito o que fazer se forem consideradas as projeções da Fundação Seade. Será preciso, por exemplo, dispor de bons profissionais nas áreas de Geriatria, Gerontologia, Terapia Ocupacional e todas as relacionadas ao bem estar dos idosos. Além disso, é preciso prever que muitos precisarão ser acolhidos em residências adaptadas ou instituições e longa permanência. De qualquer forma, há tempo para planejar e executar, e fazer dessa tendência apontada pelos dados uma boa oportunidade de transformar a região em referência nesse segmento.