[[legacy_image_203744]] Começa o mês de setembro e, com ele, volta à pauta um dos temas mais sensíveis, delicados e imprescindíveis para a sociedade no quesito saúde: o suicídio, uma área em que o tabu, o preconceito, o medo ou até o desconhecimento por muitos anos encobriram o debate necessário, dificultaram a identificação de sintomas, retardaram a implantação de políticas públicas e até desqualificaram casos evidentes que apareciam aqui e ali. No mundo e no Brasil, por muito tempo vigorou a ideia de que falar sobre suicídio era promovê-lo e incentivar pessoas vulneráveis emocionalmente a atos suicidas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De fato, a delicadeza do tema não permite equívocos de abordagem, nem por parte de entidades, escolas ou instituições, tampouco por parte da imprensa. Esse foi um dos motivos pelos quais, em 2014, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria editaram uma cartilha com o passo a passo sobre o tema, para que profissionais de todas as áreas tenham informações mínimas sobre o assunto e como lidar com ele. O suicídio é uma questão de saúde pública em todos os países. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é possível preveni-lo desde que, entre outras medidas, os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecer os fatores de risco presentes e determinem medidas para reduzir o risco. Estima-se que mais de 90% dos casos de suicídio estejam relacionados com distúrbios de ordem psíquica, como depressão, ansiedade e transtornos emocionais. Não identificados e/ou não tratados, tornam-se gatilhos em potencial para o suicídio. Estima-se que quase 1 milhão de pessoas cometam suicídio em todo o mundo, por ano. O Brasil é o oitavo país em número absoluto de casos, mas todos esses dados podem estar desatualizados em função da pandemia, em que o quadro de saúde mental mundo afora se agravou. Consultórios psiquiátricos e clínicas de atendimento psicológico tiveram seus movimentos intensificados nos últimos dois anos, o que pode ser evidência clara de que a saúde mental merece atenção redobrada dos governos e, especialmente, dos órgãos de saúde. Levar informação qualificada, com modos de prevenção e caminhos para acessar os canais de atendimento, é a melhor forma de prevenir o suicídio. E essa receita não diz respeito apenas aos profissionais que lidam diretamente com a saúde, mas também às famílias, às escolas, aos ambientes corporativos, que podem e devem promover esse debate em benefício de prevenir, identificar sinais entre seus pares e saber a melhor forma de encaminhamento. Há que se destacar os casos de suicídio não consumado, que por anos impactam não só as vítimas, mas também seus familiares e pessoas próximas. Adolescentes e jovens também merecem atenção, porque não faltam fatores exógenos de uma sociedade cada vez mais dinâmica e tecnológica a provocar distúrbios. O debate, portanto, é perene. Setembro Amarelo é o ano inteiro.