[[legacy_image_265615]] O último balanço da Serasa, de março, apontou que 43,4% dos brasileiros com mais de 18 anos estão inadimplentes, um recorde desde 2016, quando a empresa passou a fazer esse levantamento, que considera dívidas bancárias, cartões de crédito, carnês de loja e contas de água, luz e telecomunicações. Esse percentual equivale a 70,7 milhões de consumidores que não têm como voltar ao mercado, um indicativo de que o crescimento do País depende de desatar esse nó. Desde a campanha eleitoral, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva já prometia lançar o Desenrola, um programa que estimula empresas e bancos a participarem de um grande programa de renegociação. Com ajustes a serem feitos, o Desenrola segue em banho-maria, enquanto o Governo se perde em temas pouco urgentes para a população e demora a implantar essa iniciativa que, depois do Bolsa Família, tem potencial para se tornar a mais relevante iniciativa da atual gestão por sua importância para o bolso dos mais pobres. Os detalhes do Desenrola, assim como sua fontes de recursos, precisam ser bem delineados, mas não é mais possível postergar sua implantação. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aliás, estatísticas recentes indicam que os estados com peso mais importante dos benefícios sociais em sua economia são os que têm menor percentual de endividamento. Com a exceção de Santa Catarina, que passa por um bom momento devido ao agronegócio exportador e baixo nível de desemprego, Piauí e Maranhão têm 37% da população com mais de 18 anos inadimplentes. Para comparação, o pior resultado é do Rio de Janeiro, com 52%. Além do efeito brutal recente dos juros de dois dígitos, de acordo com a Serasa, o desempenho dos estados está relacionado ao impacto da pandemia. No caso do das grandes metrópoles, o endividamento piorou desde 2021 devido aos efeitos econômicos da crise da covid-19 sobre segmentos de serviços, principalmente turismo, comércio e indústria. Conforme a pesquisa, o endividamento médio no inadimplente é de R\$ 4,7 mil, o equivalente a quase quatro salários mínimos - um terço do pagamento que um trabalhador remunerado com o piso nacional recebe o ano todo. No total, o endividamento no País soma R\$ 335 bilhões, um terço de toda a renda do agronegócio projetada para o País para este ano, segundo a consultoria MB Agro. A inadimplência é um problema grave, principalmente nos níveis a que chegou. Além de empurrar uma fatia da população para a miséria, ela interrompe os estudos no ensino privado, atingindo especialmente os pobres e a classe média que frequentam universidades particulares, e adia projetos de consumo, como viagens e compra do carro ou da casa própria. Também impõe sérias perdas às empresas, que têm expectativas de receita frustradas. Já os bancos fazem provisões, reservas para cobrir eventuais calotes. É um dinheiro que deixa de ser emprestado, sem mover as engrenagens da economia.