[[legacy_image_274555]] Depois de um longo período sem atividade prática, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado vai atuar. Com base em posicionamentos da advocacia da Casa, o senador Jayme Campos (União-MT), presidente do conselho, deu prosseguimento a seis petições apresentadas nos últimos anos contra senadores por suposta quebra do decoro parlamentar. Ao todo, foram cinco denúncias e uma representação. As denúncias se referem a casos menos graves, que podem resultar em advertência ou censura. Já as representações se referem a episódios mais graves, que podem resultar em perda temporária ou definitiva do mandato. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entre as representações está o caso do senador Chico Rodrigues (PSB-RR), que em outubro de 2020 foi flagrado com dinheiro na cueca durante buscas da Polícia Federal em sua na residência. A representação partiu de petição apresentada pelos partidos Rede Sustentabilidade e Cidadania. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi sorteado como relator. Ainda que escândalos envolvendo políticos não surpreendam mais ninguém no Brasil, a sociedade vai acompanhar com atenção o julgamento do caso de Rodrigues. À época, o dinheiro escondido na cueca do senador foi encontrado após ele pedir para ir ao banheiro e o delegado perceber um volume estranho na parte traseira da roupa do político. A operação foi deflagrada para combater um suposto esquema de desvio de recursos públicos para o combate covid-19 em Roraima. Desde que foi flagrado em situação nada republicana, Chico Rodrigues tem negado participação em irregularidades e dito que agiu dominado “pelo pânico e pelo medo” ao esconder R\$ 33.150,00 nas partes íntimas – além do montante na cueca, foram apreendidos R\$ 10 mil e US\$ 6 mil que estavam em um cofre no quarto do senador. Após uma licença de 121 dias para tratar de “assuntos particulares”, Rodrigues voltou ao Senado em fevereiro enviando uma carta aos colegas. No texto, chegou a dizer que tomou a atitude pouco ortodoxa por desconfiar que estava sendo vítima de uma quadrilha, e não alvo da operação policial. E que o dinheiro serviria para pagar funcionários. Diante de todo esse enredo, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado precisa deixar o corporativismo de lado e examinar a questão com o devido rigor. Não se trata da única a ser analisada. Mas, de longe, é a mais preocupante e emblemática. Até porque as demais dizem respeito a calúnias e acusações envolvendo parlamentares, coisas que ocorrem a todo instante. Não apenas pela gravidade, mas também, inegavelmente, pela peculiaridade da atitude de Chico Rodrigues, a sentença precisa levar tudo em consideração e aplicar a pena adequada. Virar a página como se nada tivesse acontecido será mais um gesto a enfraquecer a já combalida credibilidade da classe política brasileira.