[[legacy_image_250909]] O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado sobre 2021, de 2,9%, superou com folga as expectativas, que eram de apenas 0,36%. Mas isso não é motivo para concluir que 2022 foi um bom ano para a economia brasileira. O retrato é de perda de fôlego ao longo dos meses, com um primeiro semestre mais aquecido pelos estímulos do Governo Bolsonaro para melhorar sua avaliação, como liberação de FGTS, reduções pontuais de impostos e depois do ICMS sobre combustíveis e energia, mais crédito e também benefícios sociais encorpados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A pesquisa do PIB, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trimestre a trimestre, comparando sempre com o período imediatamente anterior, é reveladora. No primeiro, houve expansão de 1,3% e no segundo, 0,9%. No terceiro o avanço foi só de 0,3%, enquanto no quarto, houve recuo de 0,2%. Desde o começo do segundo semestre do ano passado, os economistas já alertavam que as medidas governamentais de estímulo estavam esgotando seus efeitos. No desfecho de 2022, isso ficou muito claro. O País passou a demonstrar os sintomas do alto endividamento, piora da inadimplência e falta de ímpeto para consumir devido aos juros elevados. Portanto, o desempenho de 2,9% em 2022 pouco ânimo traz, com o PIB chamando mais a atenção para sua herança a este ano: um 2023 mais fraco. O quadro não é animador, mas não é de pessimismo avassalador ou certeza de queda da economia. Aliás, os analistas esperam um PIB positivo entre 0,5% e 1% em 2023 sobre o ano passado. Talvez seja um pouco melhor se for confirmada uma retomada chinesa mais forte. Por outro lado, a recessão da Europa, Estados Unidos e Japão indica ser mais suave. Se os juros norte-americanos não subirem muito, o dólar ficará mais estável. Paralelamente, o petróleo não terá força para avançar porque o consumo cairá nas economias ricas. Todo esse contexto ajudaria o Brasil, aliviando os combustíveis. Fica apenas o suspense da guerra da Ucrânia e a crise geopolítica entre o Ocidente e a Rússia mais China. Por último, como o Governo Lula está sem caixa para estimular a economia, não se fala muito sobre os impactos que seus programas teriam neste ano. De início, o carro-chefe é o Bolsa Família, que de novidade tem os adicionais de R\$ 150 por criança e de R\$ 50 por filho entre os sete e 18 anos. O Minha Casa, Minha Vida praticamente está em uma fase ainda neutra, pois a construção civil demora mais tempo para gerar reflexos. É possível que o Desenrola alivie as contas de milhões de devedores, aquecendo o consumo, mas o programa ainda precisa ser costurado. O agronegócio, que em 2022 foi enfraquecido pela escassez de chuvas, agora enfrenta o problema apenas em parte do Rio Grande do Sul, com previsão de safras recordes no resto do País. Por enquanto, há muita esperança de alguma retomada para o PIB neste ano.